MÁ EDUCAÇÃO

 

A época balnear está quase, quase, quase aí ... uiiiiiii ... 

 

Uma ida à praia pode transformar-se numa experiência notável, se nos dispusermos a olhar atentamente à nossa volta.

Existem pessoas de todos os tipos, com todo o género de hábitos e todos os níveis de educação. Desde o que fica o dia inteiro ao sol, completamente inerte, com um ar reluzente devido ao óleo que passou pelo corpo todo, até ao outro que não se despe e que permanece debaixo do chapéu, passando pelas mulheres que exibem minúsculos biquinis sem terem um corpo que o permita … enfim, há de tudo. Mas, o que mais me desconcerta é a ligeireza com que se levam criancinhas de colo para a praia e, à hora em que o sol queima, passeiam com elas sem qualquer protecção. Ignoram por completo as campanhas que teimam em alertar para os perigos do cancro da pele. Tudo isso é remetido para segundo plano, já que o que prevalece é a vontade de irem para a praia, seja a que custo for. Parece-me então que tudo passa por um acto de egoísmo e, também, pela incapacidade de estabelecer prioridades.

É certo e sabido que ter um filho é uma responsabilidade que se tem de carregar para toda a vida. Implica fazer opções e, muitas vezes, os pais sentem a necessidade de se colocarem em segundo plano. Por isso, quando chega o verão, há que ter em conta que o ritmo de uma criança é completamente distinto do de um adulto. A criança necessita que haja respeito pelos seus horários de refeições, de dormir uma sesta a meio da tarde e de se deitar cedo. Pais que não estejam dispostos a levar tudo isto em consideração, deveriam pensar duas vezes antes de decidirem assumir a responsabilidade da paternidade.

Penso, também, que é chocante vermos bebés rabugentos e ensonados que se passeiam pelas esplanadas às duas da manhã, expostos ao fumo dos cigarros e ao barulho. Bom, a observação do comportamento em ambiente de praia não pára por aí.

Tenho também de referir todos aqueles que decidem jogar à bola mesmo no local onde estão as toalhas. Tudo fica em suspense  a aguardar o momento em que a bola acerta em cheio nos óculos de alguma vítima e aí surgem as clássicas discussões. Nessas alturas, os pais dos jogadores apelam para a defesa dos direitos das criancinhas que, coitadinhas, têm de se divertir e ajudar a passar o tempo que estão na praia. Curiosa essa ideia ! Os pais esquecem-se que os direitos das criancinhas incluem o acesso à educação e a valores de que faz parte o respeito pelos outros!

Para além disso, existem os que se atiram para dentro de água sem se preocuparem nada com as pessoas que ali estão, passam a correr e … sssssplaaaasssssshhhhhhhhhhhhh… Também há os que sacodem a areia da toalha sem olhar primeiro para os lados de forma a perceberem se incomodam alguém.

Enfim... penso que uma ida à praia é a constatação de que somos todos, realmente, muito diferentes. Que a educação passou ao lado de muitos, que o respeito pelo outro ainda é algo desconhecido para alguns.

 

Artigo publicado na revista FLASH! em Agosto de 2003

 

O PERDÃO

 

Algumas pessoas são levadas a pensar que perdoar é um acto simples. Puro engano.

 

O verdadeiro perdão não é aquele que resulta de uma atitude de arrogância do tipo “vou passar por cima do assunto, porque sou melhor que tu e, por isso mesmo, até te consigo perdoar”.

O perdão genuíno é muito mais do que isso. É o culminar de um processo que requer coragem, determinação e, acima de tudo, reflexão. Quando afirmo que não é fácil, tenho como ponto de partida o facto de as ofensas mais dolorosas estarem, no geral, associadas a um ataque à auto-estima. Por este motivo são geradoras de tanto ódio e ressentimento. Sofremos porque sentimos que fomos alvo de uma injustiça, de um ataque que nos atinge muito fundo e provoca graves feridas emocionais. Mas não é possível falar do perdão, sem falar do ódio.

Esse sentimento tão intenso que vive nas antípodas do amor e que se parece tanto com ele … aliás, já todos nós um dia nos questionámos, porque é que o nosso vizinho mantém o casamento com a mulher, apesar de se darem tão mal? O elemento de ligação passou a ser o ódio, ao invés do amor. Atacam-se, destroem-se progressivamente mas mantêm-se juntos numa relação sadomasoquista. É também este tipo de mecanismo que impede muitas pessoas de perdoarem. Remoem os assuntos vezes sem conta, anos a fio, sem saírem do mesmo lugar e sem terem a coragem de dar o passo seguinte que poderia iniciar o processo que levaria ao perdão. Mas não é isso que desejam.

Muitas relações que têm o ódio como laço não sobreviveriam ao perdão. O ódio é, assim, a única forma de evitar o sentimento de vazio e, por conseguinte, a depressão. Mas, perdoar é bastante distinto de esquecer. É preciso recordar a situação traumática para só depois conseguir arrumá-la. Trazer a dor à superfície e, posteriormente, passar a analisar até que ponto esta situação mudou as nossas vidas.

Um exemplo muito comum surge após a ruptura de uma relação afectiva. Algumas mulheres cedem à tentação de generalizar e afirmam coisas do tipo “os homens são todos iguais”. Assim, a situação de amor frustrado, levou à alteração da percepção do mundo e este é um ponto que se torna necessário realinhar.

Seguidamente, é preciso criar a capacidade de empatia com o agressor. Esta é, seguramente, a fase mais complicada de todo o processo, porque implica conseguirmos ser capazes de nos colocarmos na pele de quem nos fez mal e percebermos o porquê do que aconteceu. Talvez nos tivéssemos encontrado no lugar certo mas no momento errado, talvez alguém no passado lhe tenha feito a mesma coisa, talvez, talvez… podemos também argumentar que nada temos a ver com isso. Afinal de contas não temos de ser atingidos por coisas que não foram da nossa responsabilidade! É verdade… mas, há que ter bem presente que o objectivo a atingir é conseguirmos perdoar o agressor e, este objectivo envolve-se de aspectos muito positivos, tanto a nível psicológico, como físico. É hoje consensual na comunidade científica, que são enormes os benefícios do perdão.

As pessoas movidas constantemente por desejos de vingança, colocam-se muito mais numa situação de risco de morte prematura, devido a doenças cardiovasculares. O acto de perdoar diminui a tensão arterial, reduz a pressão sanguínea e a taxa de batimentos cardíacos. Além do mais, o ressentimento e a falta de perdão são âncoras que mantemos no passado. Impedem-nos de ir para a frente, de colocar definitivamente pontos finais na situações e, em vez disso, optamos pelas reticencias, pelos finais em aberto que apenas nos trazem mais e mais dor . Para quê ? Com que objectivo ? Só se formos masoquistas…

 

Então que tal começar, desde, já a perdoar? É muito simples faça tudo mentalmente ou escreva se preferir. Ninguém precisa saber.

Isso é algo do foro privado!

Comece por perdoar-se, depois lembre-se de factos e pessoas que fizeram com que se sentisse muito triste (e talvez eles nem se tenham apercebido),  perdoe-os! Ao fazer isso, começará a sentir um bem-estar muito grande e uma leveza tão profunda como nunca sentiu, livrar-se-á de um peso interno e a sua saúde agradece!


adaptado de um artigo publicado na revista FLASH! em Julho de 2004

ESTOU DE VOLTA !!!

 

 

  

Olá amigos,

 

Eu sei que estranharam a minha ausência… eu também senti muito a vossa falta, mas cá estou de novo! O que se passou é que atingi num ápice o limite de mensagens permitido pela UOL, o que me obrigou a fazer uma nova assinatura. Como tudo é via Brasil, o processo complicou-se. O blog está um pouco diferente mas, pouco a pouco, voltará a ser o que era (tenho de transportar para aqui todas as mensagens e imagens).

 

Vamos TODOS voltar  a blogar ? 

 

 

PERDAS E GANHOS

As encruzilhadas são uma espécie de lugar sagrado onde convergem duas grandes energias - a do caminho que vamos percorrer, e a do que estamos a abandonar. Podemos ficar ali parados durante algum tempo, reflectir, dormir sobre o assunto, mas chegará o momento em que algo tem de ser feito. Há então que optar por um caminho e, ao fazê-lo, estaremos necessariamente a renunciar ao outro. É que, quando fazemos uma opção, sabemos à partida que esta atitude pressupõe uma perda, mas também um ganho.

No entanto, existem pessoas que querem optar mas, ao mesmo tempo, recusam-se a aceitar as consequentes perdas.  Funcionam um pouco como as crianças, já que durante a infância era vulgar queremos ter tudo ao mesmo tempo. Quantas vezes fizemos uma birra para que a nossa mãe nos comprasse mais uma boneca, e depois também o carrinho, a alcofa, os vestidos, etc, etc. No momento em que éramos alertadas para o facto de termos de prescindir de algo, essa ideia não fazia qualquer sentido e continuávamos a desejar conciliar tudo. Ainda que a imaturidade infantil possa ser apontada como responsável pela impossibilidade de fazer opções, o certo é que muitos de nós chegam à idade adulta com esta dificuldade. Por exemplo, querem ter um curso superior sem abdicarem das saídas à noite e sem quererem passar anos a estudar. Acreditam que conseguem viver intensamente nos dois mundos, sem haver um momento em que existirá a necessidade de se passarem em definitivo para um deles.

Mais tarde, quando o projecto de casamento lhes deixou de fazer sentido, desejam divorciar-se mas, ao mesmo tempo, querem manter o nível de vida que inclui o carro do ano, a casa de família, as viagens, os filhos em bons colégios, o dinheiro para os gastos… isto é, desejam ganhar liberdade e possibilidade de ascenderem a uma vida mais feliz, sem sofrerem qualquer perda, apenas com ganhos. Pois é ... mas tudo na vida tem o seu preço e há que aceitar essa dura realidade.

Certo é que todos nós, diariamente, somos levados a fazer escolhas, quer seja por acção, quer por omissão. Não há como escapar e é preciso lembrar que não querer escolher é, em si mesmo uma escolha. Não escolher é, para além de tudo mais, a mais pesada das opções. Ao fazê-lo, acabaremos frustrados e insatisfeitos com as nossas omissões e restar-nos-á a sensação de termos colocado as rédeas da nossa vida na mão de terceiros.

 Claro está que o ganho desta “não opção” é a possibilidade de responsabilizar os outros pelos erros. A perda será ao nível da autoestima. No fundo, o objectivo final das escolhas que fazemos dia-a-dia, é o atingir da felicidade. Felicidade essa cujo conceito é tão lato que varia de pessoa para pessoa e, mesmo para o próprio se vai alterando ao longo da vida. Já pensou que quando era adolescente a sua felicidade estava dependente da liberdade que o seu pai lhe dava para sair à noite, ou das roupas de marca que ele lhe comprava ? O que nos causava felicidade aos 15, não é o mesmo que aos 30 ou aos 40. Por isso tentamos encontrar caminhos que nos possam levar a atingir alguma satisfação.

Por vezes optamos bem, outras vezes mal, mas desde que sejamos capazes de aprender com os erros e assumir as perdas que estão subjacentes às escolhas, podemos ter a certeza que ficaremos cada vez mais maduros e responsáveis e, talvez, mais felizes!

 

Texto publicado na revista FLASH!  em Janeiro de 2005




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