RELAÇÕES DO SÉCULO XXI

 

 

Crescemos a acreditar na existência de príncipes encantados. Seres maravilhosos que foram talhados no céu para encaixar nos nossos sonhos e desejos mais profundos. Até os psicólogos infantis incentivam os pais a contarem histórias às crianças, que em tudo apontam nesse sentido:

A "Bela Adormecida", por exemplo, é resgatada de um estado de semi-coma, com a ajuda de um cavaleiro charmoso que lhe rouba um beijo e que a faz acordar para a vida. Do mesmo modo, noutra história, é a princesa que beija o príncipe e quebra o encanto que o tinha aprisionado sob a forma de sapo. Pois é, está tudo lá.

Os contos de fadas transmitem-nos valores, oferecem-nos mensagens de optimismo face às relações amorosas e, talvez por isso, o choque com a realidade se faça de um modo tão brutal. Fazem-nos acreditar que o que realmente interessa é o interior, não as aparências, mas como conjugar esse valor com a realidade de uma sociedade tão exigente em termos de estética? Como explicar às crianças que as “Belas” de hoje nunca se aproximariam de um “monstro”, a não ser que ele lhes garantisse uma vida desafogada em termos económicos ? Não creio estar errada, mas aparentemente o amor romântico caiu em desuso nos nossos dias.

As relações de exclusividade são a excepção, não a regra. A oferta de relações ocasionais, sem qualquer tipo de vínculo afectivo, atingiu proporções inqualificáveis. Certo é que as regras estão desde logo definidas e só joga quem quer, até porque há sempre suplentes ansiosos para lhe tomar o lugar. Tudo é efémero e essa é a única certeza que nos move.

As relações, à semelhança dos electrodomésticos, tornaram-se acessíveis a todos mas os prazos de garantia também encurtaram. Aliás, se todos os meses “saem novos modelos a preços cada vez mais convidativos”, porquê preocupar-se em mandar reparar a sua velha “televisão” ? Porque gosta dela ? Porque se lembra que foi comprada a muito custo com o primeiro ordenado que ganhou ? Pois...isso é para os românticos e o romantismo, como é visto e sabido, caiu em desuso.

Curiosamente, não me parece que as pessoas andem mais felizes. É que a perspectiva de chegar aos 60 anos com cinco casamentos fracassados, sete filhos meios-irmãos entre si, mudanças permanentes de casa e pensões a actualizar, não dá boa cara a ninguém. Parece então que vida emocional é encarada como sendo algo secundário e superficial, já  que a primeira contrariedade ou diferença de opinião, marca também o princípio  da ruptura.

O crescimento interior que, idealmente deveria caminhar a par com a maturidade, não é usado no sentido de uma busca de serenidade e tolerância às frustrações. Parece, estar assumido que o casal, por não possuir uma interdependência econômica, também não deve criar laços de dependência emocional que, como é sabido, caracteriza o sentimento de amor. Todo aquele que ama se torna emocionalmente dependente do ser amado. Esta não é uma dependência no sentido negativo do termo, mas traduz-se no fato de um só se sentir completo e realizado a nível afectivo, se for o alvo privilegiado dos carinhos e atenções do outro. Sofre-se com a dor do outro e vibra-se com os sucessos como se fossem vividos por nós próprios. Mas, este estado de complementaridade é algo que só se conquista à custa de muito investimento afectivo e também de tempo, factores que à partida existem pouco nas relações afectivas deste século.

 

 

  texto publicado na revista FLASH! em Janeiro 2003

 

DIA DA CRIANÇA ... QUE HABITA EM TODOS NÓS !

 

O PODER DOS PEQUENINOS...

 

Dia 1 de Junho comemora-se o Dia Mundial da Criança...

 

 

A propósito das crianças e das práticas (des)educativas de alguns pais , escrevi este artigo (publicado em 2003) ...

 

Em algumas famílias o poder está, nitidamente, nas mãos das criancinhas e os pais parecem encolher os ombros numa atitude de completa impotência. Vemos que os petizes põem e dispõem a seu belo prazer, desde tenra idade!

As queixas dos pais são do mais variado que há. Não é incomum ouvir-se dizer, que não podem dar a medicação prescrita pelo médico porque a criança não quer, ou porque faz uma birra que o impede. Existem aqueles que não conseguem que os filhos durmam no seu próprio quarto, os outros que se vêem obrigados a comer constantemente fastfood, etc, etc.

Em desespero de causa recorrem aos psicólogos. Move-os a esperança de que o técnico lhe dê uma poção mágica que resolva de imediato a situação ou que, em alternativa, lhes diga que o filho sofre de uma maleita qualquer que justifique o seu comportamento. O que mais está na moda é acharem que as crianças são todas hiperactivas! Ao colocar-se esse rótulo, desculpabilizam-se os pais que podem então encolher ainda mais os ombros, ao mesmo tempo que lamentam a má sorte que os levou a gerarem um filho com um problema deste tipo.

O azar (ou sorte) é que o Distúrbio de Défice de Atenção e Hiperactividade não é tão comum como se pensa e o diagnóstico obedece a critérios muito precisos. Assim, o que acontece com frequência é que o comportamento das crianças não se deve a nenhuma patologia mental, mas sim à falta de regras que depois resvala em atitudes de má educação. Obviamente que se comportam pior quando estão na presença dos pais, o que conduz a situações muito incómodas. Gritam, esperneiam, dizem palavrões, mexem em tudo, dão pontapés nas portas...Os pais tentam em vão travá-los por todos os meios mas, claro está que é tarde, já que a educação de base é dada em casa. Os pequenos teimam em não obedecer (até porque não estão habituados a isso) e seguem-se as tradicionais palmadas e os habituais choros e gritos estridentes.

Muitos pais, ao serem confrontados, referem que as suas actividades profissionais os impedem de estar com os filhos e que, por isso mesmo, não querem manchar o convívio com repreensões e castigos. Chegam a colocar a responsabilidade nos avós porque são eles que estão mais tempo com os netos e que, por isso mesmo, lhes deveriam ditar regras de conduta.

É, de facto, uma nova maneira de viver a parentalidade, já que parece haver uma tendência para a desresponsabilização. O tradicional papel de pai como figura de autoridade que as crianças se habituavam a respeitar, deu lugar ao pai-amigo que evita desempenhar o papel de “mau da fita” e, por isso mesmo, coloca a responsabilidade da educação dos filhos ou na escola, ou nos avós. Quando nem um nem outro funciona, assume-se que a criança tem um problema do foro mental e então há que procurar o psicólogo.

Detectado o foco da questão, os pais adoptam um de dois tipos de atitude, ou se sentem altamente culpabilizados e decidem esforçar-se por mudar, ou então negam a realidade, assumem que o psicólogo não está a ser eficiente e procuram outro técnico. Tudo isto é grave se pensarmos que são estas crianças que formam as novas gerações. Espera-nos então uma sociedade em que os adultos não têm regras e são incapazes de resistir a frustrações ? Bonito ...

DESCULPAS ESFARRAPADAS

Existem pessoas que são exímias em fazer uso de pequenas/grandes mentiras de forma a livrarem-se de situações embaraçosas mas, para que a técnica funcione, há que ter em conta alguns pormenores.

Primeiro é preciso encarnar uma personagem dócil, de modo a apelar para o sentimento. O passo seguinte, é elogiar bastante a outra pessoa e elevá-la aos píncaros (para depois a largar, deixando que se estatele no chão). Por fim, há que dizer tudo de um modo convicto. Passemos aos exemplos. Uma das mais velhas mentiras é a já clássica

 

“tu és a melhor coisa que me aconteceu nos últimos tempos. O problema não tem a ver contigo, mas sim comigo... eu é que ainda não estou preparado para ter um relacionamento!”.

 

Deste modo atingem-se três objectivos. Sair airosamente da relação, manter a imagem de uma pessoa sensível (que as mulheres adoram), ao mesmo tempo que se coloca no papel de vítima... sim, porque a última relação o traumatizou a tal ponto, que ainda não se reabilitou. Porém a realidade é bem diferente. Quando há de facto interesse, nada disto tem sentido. O coração não se “prepara”. O amor chega quando menos se espera e instala-se sem pedir autorização!

Outra técnica sobejamente usada é a do

 

“eu não te mereço… tu és boa demais para mim”

 

Esta é de todas a minha “favorita”. Considero-a tão bizarra que deveria ganhar o Óscar da categoria! Pensemos um pouco. Quem acredita que haja alguém que, em seu pleno juízo, decida abandonar outra pessoa por achar que ela é boa demais?!?

Bom … adiante… o tempo (neste caso a falta dele) é também outro aliado e tem as costas muito largas pois serve para tudo. Não responde às chamadas? Não houve tempo. Não retribui o SMS? Não houve tempo. Não comprou a prenda de Natal? Não houve tempo. Esta é uma daquelas desculpas que está tão esfarrapada, já nem sequer tem ponta por onde se lhe pegue.

Todos sabemos que o tempo é algo muito relativo e, quando se quer, INVENTA-SE tempo. Um SMS envia-se em dois minutos e quem diz o contrário está a mentir. Entrar neste jogo é gostar de ser enganado. É incontestável que quem se preocupa com o outro e sente a falta dele, evita recorrer a este tipo de estratégias, porque sabe que a médio prazo acabam por dar mau resultado. Por seu turno, todos aqueles que sistematicamente fazem uso delas, para além de tentarem passar um atestado de burrice aos outros, acabam por minar as relações.

Vale a pena relembrar que a verdade, por pior que seja, continua a ser a melhor receita para um relacionamento saudável.

 

Artigo publicado na revista FLASH! em Março de 2006

SESSÃO DE AUTÓGRAFOS

 

Tive o enorme prazer de poder ontem  contar com a presença e apoio dos amigos, na feira do livro de Lisboa. Estava uma noite quente , mas o calor humano ultrapassou o do ambiente.

Na fotografia estou com o Prof. Eduardo Sá (também autor da Oficina do Livro) ... uma doçura de pessoa !

 




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