
Esta semana a FLASH! publica uma entrevista acerca do meu livro ... ![]()

Recentemente, numa conversa entre amigos, os elementos masculinos presentes mostravam-se de certo modo incomodados com as mudanças que se assistiam no universo feminino. “Queixavam-se” das mulheres, sobretudo das que eram demasiado independentes, donas do seu nariz e que lhes deixavam pouca margem de manobra. Ao ouvi-los, consegui entender porque é que muitas mulheres interessantes (do ponto de vista estético e intelectual) estão sozinhas. Digamos que é uma espécie de preço a pagar, porque não criam dependências que as possam tornar securizantes e controláveis. Perante elas, os homens com fraco auto-conceito sentem-se diminuídos e não sabem como gerir a situação. Se por um lado, até pode constituir uma valorização face aos amigos/família, por outro há sempre uma insegurança que espreita. De facto, estas mulheres não precisam que as transportem aos locais porque são adeptas do “quem tem boca vai a Roma”, nem tampouco ficam à espera para marcar a revisão do carro, ou mudar uma lâmpada lá em casa ... Habituaram-se a resolver sozinhas tudo o que tem a ver com os aspectos práticos do dia-a-dia. Porém, no contexto desta vida bem estruturada, ao contrário do que se possa pensar, o companheiro continua a desempenhar um importante papel, sobretudo no que respeita ao equilíbrio emocional. O problema é a maioria dos homens não consegue perceber isso e, perante uma mulher que, aparentemente, não precisa deles para nada, sentem-se completamente perdidos, inseguros, desazados ! No entanto, o que este tipo de mulher deseja obter de um companheiro não é muito diferente do que as outras (as ditas vulgares de Lineu) desejam. Aspira ter a seu lado, um homem com quem possa partilhar o dia-a-dia, mas que saiba também viver com orgulho as suas conquistas e sucessos. Claro que isso não é tarefa fácil! Culturalmente é muito mais aceitável que seja o homem a destacar-se, aliás, ouvimos sempre dizer que “por detrás de um grande homem está sempre uma grande mulher”, mas raramente ouvimos o contrário, embora essa seja uma verdade inquestionável. Só um homem verdadeiramente estruturado, com um auto-conceito razoável e uma autoestima elevada, consegue manter uma relação afectiva com uma mulher independente e bem sucedida a nível profissional. Assim, quando olhamos para os lados e vemos tantas e tantas mulheres interessantes e sozinhas, podemos perceber que isso não passa de um sintoma da insegurança que caracteriza muitos homens do nosso tempo.
texto publicado na revista FLASH! em 2005
Não resisto a comentar uma noticia deliciosa que veio publicada no Correio da Manhã de Domingo e que o Pacheco Pereira também refere esta semana na revista Sábado...
Não é que uma senhora que vive aí numa terreola do interior, plantou cannabis no quintal e achava que eram tomateiros! Entretanto a GNR invadiu-lhe o quintal e ela nem estava a perceber o que se passava porque nunca tinha ouvido falar em “charros”, nem em nada que se parecesse. O certo é que continuava à espera que o vegetalzinho desse frutos e nada! Bom, esta história é de uma inocência (sim, até prova em contrário, acredito que a velhota não sabia que as sementinhas do saco eram cannabis) que me enternece!
Lembrei-me então dos meus tempos de infância, em que vivia em Angola, e um vizinho decidiu fazer uma plantação análoga mas... nuns vazinhos na varanda. A plantinha vingou e passados alguns meses estava muito viçosa e convidativa. Então o que é que aquela "boa alma" decide fazer? Não, não a enrolou para charros ... fez CHÁ! Bom... as mudanças de comportamento passaram a ser bastante visíveis, mas ninguém percebia muito bem o que se estava a passar até o mistério ser descoberto. Plantas queimadas (a vizinhança teve de sair temporariamente dali porque senão apanhávamos uma overdose colectiva) e assunto resolvido. Lembrei-me disso porque ainda bem que a senhora confundiu a plantinha com um tomateiro (a folha em pequenina é parecida) e não com tília... senão lá voltávamos ao chá...


Chegado o final do 9º ano de escolaridade, eis que surge o primeiro grande momento de escolha da carreira. O jovem tem de decidir qual o agrupamento que mais lhe agrada, de entre algumas opções possíveis.
Alguns fazem testes de orientação vocacional, outros acabam por ser levados a escolher o mesmo que os amigos. O problema é que este tipo de escolha, acaba por reservar surpresas desagradáveis e, muitas vezes, leva ao insucesso escolar ou à interrupção dos estudos. Certo é que a escolha da carreira não é um processo fácil. Mais difícil se torna, quando a opção tem de ser tomada numa fase da vida em que a maturidade escasseia. São poucos os que possuem uma ideia clara acerca daquilo que querem fazer. Desejam, acima de tudo, ser famosos e ganhar muito dinheiro ! Por detrás de tudo isto, existe a pressão familiar. Os pais, em geral, têm opiniões acerca do que seria mais ou menos desejável para o seu filho. Querem que “seja feliz”, mas essa felicidade está assente em algumas fantasias. São unânimes ao afirmar que é absolutamente necessário ganhar bem e, também, possuir um titulo académico. Existe, por assim dizer, um top + das profissões, que é encabeçado pela clássica licenciatura em medicina. Seguem-se as engenharias, o direito, a economia e a gestão.
Muitos funcionam ainda com representações tradicionais do que é uma carreira prestigiada e demonstram, uma vezes clara, outras mais sub-repticiamente, a sua rejeição a outro tipo de profissões. Esquecem-se que os tempos mudaram e que actualmente um engenheiro pode ganhar bastante menos que um mecânico de automóveis. Além disso, quantas vezes somos atendidos em lojas por jovens advogados, economistas ou gestores ? A medicina continua a ter algumas saídas profissionais, mas é preciso ter em conta que nem tudo são rosas. Os turnos, a acumulação de locais de trabalho, o risco de ir parar a um hospital muito longe de casa ... tudo isso se ultrapassa quando há vocação e aí é que tudo deve começar. Para se escolher uma profissão é preciso ter, em simultâneo, as características de personalidade, os valores, as aptidões e o interesse por essa carreira profissional. As aptidões correspondem, em termos gerais, ao tipo de inteligência que cada um possui. Existem sete tipos de inteligência, linguística, lógico-matemática, visual-espacial, musical, corporal, interpessoal e intrapessoal. Por exemplo, não vale de nada querer ser engenheiro se não possuir uma inteligência lógico-matemática. Seria o mesmo que desejar ser cantor sem ter voz ! Depois é necessário gostar das tarefas que são desempenhadas, não só do nome da profissão.
Avaliadas as aptidões e os interesses, importa perceber se a personalidade e os valores do jovem se adequam à escolha profissional. Um jovem que possua valores materialistas, não poderá optar por uma profissão cuja remuneração seja baixa. Do mesmo modo que um jovem com marcados traços de altruísmo desejará desempenhar tarefas de ajuda humanitária, já que a remuneração é absolutamente secundária. Todos estes factores têm de ser ponderados e minuciosamente estudados já que é algo decisivo em termos de futuro. Temos de ter em conta que grande parte da nossa vida é passada no local de trabalho. Quando fazemos algo nos agrada, o salário pode até não ser o ideal, mas consegue-se sempre ultrapassar as frustrações e encontrar alternativas. O oposto é bastante mais problemático...
Texto publicado na revista FLASH! em 2003
É SEXTA-FEIRA!!!! 

A vergonha determina muitos comportamentos esquivos das pessoas, já que assume o aspecto de introversão, constrangimento e inibição social. Em algumas situações existe um motivo real mas, em outras, é aparentemente descabida e destituída de sentido. Certo é que as crianças muito pequenas não sentem vergonha porque este afecto é-nos imputado pela educação e pelos valores que nos são transmitidos pelos nossos pais. Uma educação com base em parâmetros morais muito rígidos, facilita o surgimento de afectos mais negativos já que o julgamento que fazemos acerca dos nossos próprios actos acaba por ser implacável. À mínima falha somos nós próprios que nos punimos, uma vez que a vergonha é um julgamento que vem de dentro para fora. A vergonha está frequentemente associada à culpa, mas os afectos são completamente diferentes. A culpa é sentida devido a um julgamento feito pelos outros, pelo social, e não pelo próprio sujeito. Assim, sentimos culpa quando, de algum modo transgredimos as regras sociais, enquanto que a vergonha é sentida quando agimos de forma que contradiZ os nossos valores. Há também momentos em que sentimos “vergonha alheia”, isto é, constrangemo-nos por actos cometidos por pessoas que nos são próximas a nível afectivo. Já toda a gente passou por situações em que sentiu vergonha de atitudes cometidas por amigos ou familiares, ainda que não tenha nada a ver com o assunto. Por exemplo, os familiares de criminosos muitas vezes pedem desculpa e dizem sentir-se envergonhados e constrangidos, ainda que não tenham rigorosamente nada a ver com o que se passou. Existem, também, outro tipo de pessoas cuja vida é intensamente colorida pelo sentimento de vergonha. Sentem-se constantemente como “peixes fora de água” em qualquer contexto. Assumem então posturas sociais de intensa timidez, ou então optam por construir uma personagem que nada tem a ver com o que são na realidade. Isto porque sentem vergonha, por exemplo, por não possuírem habilitações académicas de grau superior, morarem em locais considerados menos chiques ou serem oriundos de famílias menos abastadas. Este sentimento vive, então, paredes-meias com o medo de serem desprezados e desvalorizados pelos outros. Contudo, é o próprio quem primeiro se despreza e se desvaloriza, ao não assumir a sua real condição. Recorrem então à mentira mas, quando descobertos não se livram da vergonha e de um misto de outros sentimentos. Sentem culpa em relação às pessoas para quem mentiram pois a mentira foi também um meio de demonstrar a inveja por desejarem ser algo que não são. Ao mesmo tempo, esta atitude demonstra que avaliaram os outros segundo determinados parâmetros ou seja, imaginaram que os outros não os aceitariam tal e qual são quando, no fundo são eles próprios que não se aceitam. Esta confusão transforma-se em raiva que é voltada contra o próprio e lhe danifica ainda mais a auto-estima, levando-o novamente a mentir e, de novo, a sentir vergonha. Digamos então que a vergonha é o resultado do julgamento interno que fazemos de nós próprios. Este tribunal interior (a que os psicólogos chamam Super-Ego), permite-nos avaliar os nossos actos, mas para que nos seja possível viver o dia-a-dia de forma mais ou menos descontraída, não pode haver regras nem muito rígidas, nem muito permissivas. Como em tudo o mais, no meio é que está a virtude !
Texto publicado na revista FLASH! em Janeiro de 2003 

Confesso que me agradam os pensamentos Zen e, de entre eles, destaco o que dá o título a esta crónica e que se deve a Tom Stoppard, talvez porque transmite uma ideia de continuidade e, também, de esperança. Ou seja, o que ele nos diz é que, mesmo quando decidimos fechar uma porta, encerrar um capítulo na nossa vida, é importante mantermos bem presente a ideia que, sendo uma decisão difícil, é também necessária, pois só assim haverá lugar para o surgimento de outras oportunidades. De nada vale deixar que o quotidiano seja pontuado com reticências. Só através de pontos finais se podem dar início a novas frases e, também, a novos ciclos de vida possivelmente mais felizes.
Adiar decisões é sinónimo de fraqueza e de falta de maturidade. É querer manter um pé em terra firme (?) e, ao mesmo tempo, desejar saltar dali para fora. Claro está que esta estratégia não resulta, e só provoca um crescente desconforto interno. Depois de tomada a decisão, pode até haver um período de autêntica travessia no deserto mas, apesar do caminho ser penoso, importa acreditar que o que nos espera é algo de bom e é aí que reside a esperança ! O povo costuma dizer, “enquanto há vida, há esperança”. A ideia oposta é, a meu ver, muito mais real ... isto é, “enquanto há esperança, há vida!”.
A esperança constitui uma energia interna que cresce a cada momento e que nos torna capazes de derrubar muros que considerávamos intransponíveis. Mas não se pode confundir esperança, com passividade. Nada disso! Quem espera que as coisas lhe caiam do céu sem ter de se esforçar, não se encontra movido pela esperança. Acredita simplesmente na sorte e deixa-se andar. A este propósito, recordo sempre o princípio da minha carreira profissional, altura em que trabalhei com doentes terminais e era notória a diferença entre aqueles que mantinham a esperança de uma cura, e os outros que já tinham desistido de lutar. O estado clínico podia ser o mais grave possível mas, contra todos os vaticínios, havia algo inexplicável pela ciência que os mantinha vivos. Continuavam a luta procurando saídas, indo para lá do que o cansaço permitia, combatendo lado a lado com o desespero e a dor. A esperança é isso mesmo. Materializa-se numa luzinha que se acende ao fundo do túnel e nos ajuda a enfrentar os quotidianos penosos, a acreditar que qualquer saída é mesmo uma entrada para outro lado...que o dia que amanhece pode ser mais brilhante que o anterior, que o amor se pode encontrar ao virar da esquina quando menos esperamos. É algo irracional, ilógico ... uma espécie de fé inabalável que, enquanto existe, nos mantém vivos!
Texto publicado na revista FLASH! em Fevereiro de 2006

Neste fim-de-semana assisti a um documentário giríssimo, acerca dos cães, no canal Odisseia. Embora goste mais de gatos (e gostos não se discutem …) fiquei rendida às suas extraordinárias capacidades.
Um era o companheiro diário de uma tetraplégica e acendia-lhe as luzes, abria portas, consertava-lhe a cabeça e a mão, ia buscar o telefone quando este tocava… outros foram treinados para salvamentos no caso de catástrofes, e iam até ao limite das suas forças para conseguir resgatar uma pessoa dos escombros. Outros serviam de guia para invisuais...
Assisti emocionada a tudo isto e não deixei de pensar como o ser humano consegue ser tão ingrato para aqueles a quem apelidada de “melhores
Bom, nem sei porque é que ainda estranho estes factos, se algumas “pessoas” são capazes de fazer o mesmo aos seus velhinhos. No verão levam-nos para o hospital sob qualquer pretexto e depois “esquecem-se “ de os ir buscar … enfim… não há palavras…
Crescemos a acreditar na existência de príncipes encantados. Seres maravilhosos que foram talhados no céu para encaixar nos nossos sonhos e desejos mais profundos. Até os psicólogos infantis incentivam os pais a contarem histórias às crianças, que em tudo apontam nesse sentido: A "Bela Adormecida", por exemplo, é resgatada de um estado de semi-coma, com a ajuda de um cavaleiro charmoso que lhe rouba um beijo e que a faz acordar para a vida. Do mesmo modo, noutra história, é a princesa que beija o príncipe e quebra o encanto que o tinha aprisionado sob a forma de sapo. Pois é, está tudo lá. Os contos de fadas transmitem-nos valores, oferecem-nos mensagens de optimismo face às relações amorosas e, talvez por isso, o choque com a realidade se faça de um modo tão brutal. Fazem-nos acreditar que o que realmente interessa é o interior, não as aparências, mas como conjugar esse valor com a realidade de uma sociedade tão exigente em termos de estética? Como explicar às crianças que as “Belas” de hoje nunca se aproximariam de um “monstro”, a não ser que ele lhes garantisse uma vida desafogada em termos económicos ? Não creio estar errada, mas aparentemente o amor romântico caiu em desuso nos nossos dias. As relações de exclusividade são a excepção, não a regra. A oferta de relações ocasionais, sem qualquer tipo de vínculo afectivo, atingiu proporções inqualificáveis. Certo é que as regras estão desde logo definidas e só joga quem quer, até porque há sempre suplentes ansiosos para lhe tomar o lugar. Tudo é efémero e essa é a única certeza que nos move. As relações, à semelhança dos electrodomésticos, tornaram-se acessíveis a todos mas os prazos de garantia também encurtaram. Aliás, se todos os meses “saem novos modelos a preços cada vez mais convidativos”, porquê preocupar-se em mandar reparar a sua velha “televisão” ? Porque gosta dela ? Porque se lembra que foi comprada a muito custo com o primeiro ordenado que ganhou ? Pois...isso é para os românticos e o romantismo, como é visto e sabido, caiu em desuso. Curiosamente, não me parece que as pessoas andem mais felizes. É que a perspectiva de chegar aos 60 anos com cinco casamentos fracassados, sete filhos meios-irmãos entre si, mudanças permanentes de casa e pensões a actualizar, não dá boa cara a ninguém. Parece então que vida emocional é encarada como sendo algo secundário e superficial, já que a primeira contrariedade ou diferença de opinião, marca também o princípio da ruptura. O crescimento interior que, idealmente deveria caminhar a par com a maturidade, não é usado no sentido de uma busca de serenidade e tolerância às frustrações. Parece, estar assumido que o casal, por não possuir uma interdependência econômica, também não deve criar laços de dependência emocional que, como é sabido, caracteriza o sentimento de amor. Todo aquele que ama se torna emocionalmente dependente do ser amado. Esta não é uma dependência no sentido negativo do termo, mas traduz-se no fato de um só se sentir completo e realizado a nível afectivo, se for o alvo privilegiado dos carinhos e atenções do outro. Sofre-se com a dor do outro e vibra-se com os sucessos como se fossem vividos por nós próprios. Mas, este estado de complementaridade é algo que só se conquista à custa de muito investimento afectivo e também de tempo, factores que à partida existem pouco nas relações afectivas deste século.
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