
Confesso-vos que não gosto muito de futebol mas como os Portugueses andam de sorriso nos lábios devido às vitórias da selecção... aqui fica um bonequinho alusivo ao tema... bom fim-de-semana de S. João

Achei piada a este pensamento ... acho que é um bom tema para quinta-feira


Vivemos, desde sempre, sujeitos a pressões sociais da mais diversa ordem. Durante a infância é-nos pedido que deixemos as fraldas num determinado momento, dando início a uma nova etapa de maior independência. Vamos para o Infantário e aí pedem-nos que sermos autónomos, comermos sozinhos, respeitarmos regras e aprendermos a brincar e a respeitar os outros. Este é o passo que nos permite introduzirmo-nos nos grupos, dando início à vida social. E assim vamos progredindo.
Na adolescência vemo-nos esmagados por pressões do grupo, ao mesmo tempo que lutamos contra as regras que estão estabelecidas pelos mais velhos. A regra que adoptamos é a dos nossos pares, porque só assim podemos ser aceites por eles. Por essa altura nem nos apercebemos que, ao mesmo tempo que travamos uma luta contra o sistema, subjugamo-nos às leis impostas pelos nossos
Mais tarde, terminada a escolaridade, as exigências sociais passam a ser outras. É bom e desejável tirar um curso de forma a garantir um bom nível de vida. A eleição do curso é outro problema. Existem cursos mais nobres e respeitados socialmente que outros. Uma carreira no âmbito das artes é sempre encarada com alguma apreensão, quer pelos pais, quer pelos
Terminado o curso é suposto ter namorado/a e, passado algum tempo, há que anunciar o casamento. Embora já tenha abordado anteriormente esta problemática, volto a referir que ter mais de 30 anos e ser solteiro/a gera alguma confusão na nossa sociedade. De imediato se questionam sobre os porquês de tal opção. As respostas são invariavelmente duas: ou tem defeito ou então é homossexual.
Pronto. Está resolvido o enigma e, como as pessoas gostam muito de respostas do tipo “é branco ou preto”, a questão clarifica-se assim. Para os outros, aqueles que seguem o rumo certinho e adaptado, passada a fase do casamento, há que ter filhos. Então nos jantares de grupo as conversas começam a centrar-se unicamente nesse ponto. “Então? E quando é que tens filhos? “, “ Estás casada há quanto tempo? Já vai sendo altura de teres filhos... “, são frases ouvidas sem conta.
Se o desejo (dos outros) não é atendido, então surgem outro tipo de desconfianças. Ou o casamento vai mal, e por isso não querem deixar descendentes, ou então existe algum problema físico que os impede. Pronto. Está de novo o enigma resolvido. E continuamos na mesma linha sendo que, passado um tempo de ter o primeiro filho, inicia-se um novo ciclo. “Então? Quando é que têm o segundo? É importante dar-lhe um irmãozinho“. Ao mesmo tempo que perguntam se o outro já deixou as fraldas, quando é que vai para o Infantário, etc., etc.
À parte ficam os outros, os tais “marginais” que não entraram no esquema já montado pela sociedade e decidiram ser protagonistas da sua própria vida. Como resultado têm de suportar (muitas vezes em silêncio) este tipo de conversas nos jantares de grupo, porque nada têm para partilhar e os outros pouco se importam com isso. Afinal de contas, quem os manda ser diferentes? ![]()
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