PESSOA CERTA NO MOMENTO ERRADO

 

 

  

 

Por vezes chegamos à conclusão que algumas relações fracassaram, simplesmente, porque não era o momento certo. Talvez por imaturidade, talvez porque era muito cedo para nos comprometermos, talvez....

Costuma dizer-se que “ aos 20, as mulheres querem alguém que as trate mal, aos trinta que lhes dê luta, aos 40 que lhes dê paz “, mas nem sempre é assim.  Algumas mulheres, seja em que idade for, procuram sempre homens complicados e, por conseguinte, obtêm relações complicadas. Vivem envoltas num turbilhão de enredos, traições, histórias pouco claras, seduções veladas... Recorrem depois aos amigos e queixam-se, choram a má sorte que já parece saber, de cor e salteado, o caminho para lhes ir bater à porta. “Era a pessoa certa, o momento é que era errado… ele diz que não se quer comprometer, que já sofreu muito e então é melhor sermos só amigos!”. Quantas vezes já ouvimos isto?

A ideia de ser o momento errado, pode servir de excelente desculpa para não se querer envolver, sobretudo se não há sintonia de objectivos, nem de sentimentos. De forma a não haver uma rejeição clara (que seria sentida como agressão) assume-se que, noutro contexto, as coisas até teriam pés para andar. É, digamos assim,  uma saída airosa para o problema.

Existem, porém momentos menos propícios. Casos em que a separação ocorreu recentemente, ou se se está em pleno processo de divórcio litigioso, é possível que não exista disponibilidade para um novo envolvimento, já que situações destas acarretam um forte abalo emocional. Ainda assim, há por vezes a tendência para procurar rapidamente alguém que sirva de apoio, uma espécie de analgésico que não cura, mas adormece a dor. Esta ânsia é um movimento muito egocêntrico, já que não tem em conta os sentimentos do outro. Claro que depende muito da clarificação que é feita à partida. Muitas vezes está explícito desde o início, que a relação é algo sem futuro, apenas funciona no presente e, se ambos aceitam as regras não há angústias de espécie alguma.

Mas, quando se pretende construir uma relação sólida e com futuro, há que ter consciência de que é preciso haver uma arrumação interna de forma a ser possível voltar a envolver-se a 100% e, nesse caso, explicar à outra pessoa essa indisponibilidade é, também, uma forma de demonstrar afecto e respeito. Não ceder à tentação de se envolver por envolver, é uma decisão difícil, mas que demonstra maturidade. É, também, a única maneira de preservar o que é possível preservar, deixando o futuro em aberto…

 

 texto publicado na revista FLASH! em Outubro de 2005

Lançamento do meu 4º livro

 

   fotografia gentilmente cedida pelo meu amigo Alex Gandum (jornal Expresso)

Fiquei muito feliz porque pude contar com a jornalista Palmira Correia para o apresentar. A Palmira, para além de ser minha amiga há mais de uma década, é também autora de vários livros e editora principal da revista TVMais.

Estiveram presentes grande parte dos meus amigos do coração, a minha família mais chegada, colegas dos vários quadrantes (professores, psicólogos, médicos, jornalistas …) e também leitores.

Foi um momento único e só tenho a agradecer a todos os que mo proporcionaram.

 

O espaço euclidiano e o discurso feminino

 

Hoje, aqui vai uma reflexãozinha um pouco diferente do habitual, ou seja, um olhar masculino acerca do mundo feminino ...

 

 

Se julga que as diferenças entre homens e mulheres se resumem a algumas particularidades anatómicas está redondamente enganado! A avaliação em que empenhamos os nossos cinco sentidos pode resultar num grandessíssimo barrete, que nos deixa  hormonas e egos completamente de rastos, se ignorarmos as idiossincrasias do raciocínio delas, confinando-nos aos racionalíssimos conceitos euclidianos, tipicamente masculinos.

A primeira etapa, e condição sine qua non de uns entremezes mais sugestivos, é entrar no discurso feminino, o tal em que um “não” é um “sim” a médio prazo, um “talvez” é um  “põe-te a milhas e não chateies”, e um “sim” pode dar em choro e ranger de dentes quando chega a síndrome do dia seguinte. E ponha de lado a mente informática, que esse software é duro de roer...

Se, por exemplo, convidamos a rapariga para ir ao cinema, e, nos primeiros cinco minutos de conversa, ela pergunta – “Não acha que está um bocado de calor para usar essa camisola?”, cuidado! Isso não significa uma proposta velada para uma noite colorida, mas antes qualquer coisa do género “Não te atrevas a sair comigo vestido dessa maneira. Para a próxima, ou te vestes decentemente ou apanho um táxi e vou para casa!” E vai mesmo, se a coisa não lhe agrada.

Se lhe perguntamos onde quer jantar nessa noite, e ela responde “escolhe tu, por mim tanto faz”, nem pensar em entrar no restaurante mais próximo. Leia-se, nas tais odiosas entrelinhas, “se gostasses mesmo de mim sabias que adorei aquela marisqueira onde fomos noutro dia com a Teresa e o Miguel, que tem uma santola magnífica e uns aperitivos de cair para o lado”. Complicado? Isso é só a primeira linha, porque o resto vem a seguir - “... e veste aquela camisa giríssima que te dei na semana passada e que me custou os olhos da cara, e já agora damos um salto à loja da Magui, que tem uma roupa que é um espanto, para ver se encontro um trapo decente. É que, francamente, não tenho nada para vestir!” E não diga para consigo, “ela está doida!”. Isto é, apenas, o feminino... e no seu melhor!

Se, à sobremesa, ela diz que “não sabe bem o que lhe apetece”, terá de adivinhar que quer aquele gelado de manga com cobertura de chantilly, bolacha de baunilha cortada em triângulo e cerejinha em cima. Não pense que estou a exagerar. Experimente encomendar um gelado sem cereja, e diga-me depois qual foi o resultado!

E quando ela diz que está “a morrer de fome”? Estará disposta a partilhar ardentes prazeres de mesa e de cama? Santa ingenuidade... Não lhe passe pela cabeça propor uma feijoada ou uns rojões, para não ser acusado de se estar nas tintas para a dieta dela, você, que até só olha para as magras. Leve-a ao mais famoso restaurante do estilo “nouvelle cuisine” em que servem pratos raquíticos onde flutuam dois ou três ícones vagamente parecidos com comida, que não dão nem para encher a cova dum dente. Aguente estoicamente a fome e a conta, e não se preocupe com a parceira que, de certeza, vai mergulhar na caixa de bolachinhas de chocolate e nos queijos franceses mal ponha o pé dentro de casa.

A regra é, simplesmente, “nada do que parece é”, e “nada é o que parece”. E nem pense em tentar entender. Foi por cometer esse erro que o melhor aluno do meu curso, racionalista, pragmático e de inteligência brilhante, mas para quem o espaço é necessariamente euclidiano, passa agora as noites ao balcão de um bar, de copo na mão, a olhar para as mulheres dos outros.

 

Escrito por Adalberto Raposo  (Julho 2002)

 

 ps: Estou muito feliz porque ontem foi o lançamento do meu livro... mas prefiro contar-vos tudo quando tiver as fotografias...

Dalai Lama

 

Era bom que todos pensássemos nisto, antes de ser tarde demais ...




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