INSTANTES DECISIVOS

 

 

 

Quantas vezes já nos detivemos a pensar, que era tão bom se pudéssemos ter a possibilidade de mudar pequenas, ou grandes coisas no nosso passado? Achamos que essas mudanças poderiam conduzir a um estado de maior felicidade no presente. Queríamos então apagar das nossas vidas aquela vez em que discutimos com o namorado e que constituiu o princípio do fim. O dia em fomos passear ao parque e que passámos à frente daquela esplanada, exactamente no instante em que uma amiga nossa beijava o marido de outra. Se tivéssemos oportunidade, talvez decidíssemos não saber esse segredo que veio a alterar profundamente a relação de amizade. Possivelmente teríamos optado por fazer outro caminho, ou ir ao Centro Comercial fazer umas compras. Só que quem nos diz que isso alteraria positivamente alguma coisa? Podíamos ter sido assaltadas no parque de estacionamento ou estar lá no preciso instante em que ocorria um crime, o que nos transformou de imediato em testemunhas-chave.

Não há hipótese alguma de virmos a saber o que aconteceria se mudássemos a rota de nossas vidas porque os acontecimentos sucedem-se ao sabor do acaso, sem que haja qualquer possibilidade de prevermos o que se vai passar. Quem acredita no destino, contesta essa ideia porque crê que cada um de nós nasce já com uma espécie de guião pré-estabelecido, sendo que apenas nos limitamos a cumprir o que já está escrito. Claro está que nos assiste a capacidade de livre arbitro, ou seja, ninguém nos obriga a seguir por determinado caminho e podemos invertê-lo a qualquer momento e depois aguentar as consequências. Esta ideia introduz no destino a dimensão da liberdade, o que é fundamental. De outro modo, parece que cairíamos numa situação de fatalismo e de desresponsabilização total. As coisas sucederiam porque tinham de suceder e nós, pobres mortais pouco tínhamos a ver com isso, já que não passávamos de simples marionetas na mão do Criador. É uma concepção que assusta qualquer um.

O cinema tem explorado esta ideia e alguns filmes abordam-na de uma maneira muito interessante. Lembro-me, por exemplo, do filme “Instantes decisivos” que se passava em dois tempos, e que nos permitia ver a diferença que fazem alguns instantes de diferença na tomada de decisões. Mais recentemente, assisti a outro filme que toca esta problemática. Chama-se “Efeito borboleta” e aborda a questão de um prisma um pouco diferente. Acaba por nos mostrar que, por muito que quiséssemos, as mudanças no passado iriam sempre ter repercussões negativas no presente, quer para nós, quer para alguém. Não há como fugir a isso. Talvez seja exactamente essa a magia da vida. O facto de cada momento ser único e decisivo. Face a esta inevitabilidade sentimo-nos, por um lado, pequeninos e indefesos mas também, ao mesmo tempo, poderosos e responsáveis porque sabemos que somos nós os protagonistas da nossa história de vida. Com base nisto, cabe-nos a tarefa de escrevermos, diariamente, um guião cada vez melhor!

texto publicado na revista Flash! em Junho de 2004

intemporal ..

 

 

 




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