Uma lágrima ...

 

 

Ligo a TV e, de imediato sou invadida pela dor..  dor dos outros que naquele momento se torna também a minha dor, basta-me olhar para o rosto de uma criança que sofre, para uma mãe que chora a perda dos filhos, para um irmão que de repente se sente só neste Mundo … uma sentida lágrima por todos eles…Qualquer Guerra resulta da estupidez Humana, não existem fins que justifiquem a utilização destes meios !

 

 

só se vê bem com o coração ...

 

 

Na minha opinião, deve-se a Antoine de St. Exupéry um dos livros mais bonitos e bem escritos do século passado. Refiro-me ao magnífico “Principezinho”, cujo texto parece ser intemporal . Já o li vezes sem conta e sempre o faço com emoção ...

 

O que poucos sabem é que o escritor francês combateu durante a Guerra Civil Espanhola, foi capturado e levado para a prisão. Na véspera de ser executado, nervoso, procurou um cigarro e encontrou um, mas as suas mãos estavam a tremer tanto que ele não conseguia levá-lo à boca. Procurou fósforos, mas não tinha, porque os soldados tinham retirado todos os fósforos do seu bolso. Olhou então para o carcereiro e perguntou-lhe se lhe arranjava lume. O carcereiro olhou-o e chegou-se mais perto para lhe acender o cigarro. Naquela fracção de segundo, os seus olhos se encontraram, e St. Exupéry sorriu. À posteriori, disse que não sabia porque tinha sorrido, mas a explicação poderá ser que quando se está perto de outro ser humano seja difícil não sorrir. Naquele instante, algo de "mágico se passou". Uma "chama" encheu o espaço entre o coração dos dois homens e gerou também um sorriso no rosto do carcereiro. Ele acendeu o cigarro de St. Exupéry e manteve-se perto, olhando-o directamente nos olhos. St. Exupéry também continuou a sorrir, encarando-o agora como pessoa, e não como carcereiro. Então o carcereiro perguntou-lhe : "Você tem filhos?". "Sim", respondeu St. Exupéry, e mostrou-lhe algumas fotos. O carcereiro mostrou-lhe também fotos, e contou todos os seus planos e esperanças para o futuro deles. Os olhos de St. Exupéry encheram-se de lágrimas quando disse que não tinha planos, porque não os voltaria a ver. Os olhos do carcereiro encheram-se também de lágrimas. E de repente, sem nenhuma palavra, ele abriu a cela e guiou St. Exupéry para fora do cárcere, através das sinuosas ruas, para fora da cidade, e o libertou. Sem nenhuma palavra, deu meia-volta e retornou por onde veio. St. Exupéry disse: "Minha vida foi salva por um sorriso do coração".

O que foi aquela "chama" que se acendeu entre o coração desses dois homens? Isso tem sido tema de intensa pesquisa, na medida em que os cientistas estão a dar-se conta de que o coração não é meramente uma bomba mecânica, mas um sofisticado sistema de recepção e envio de informações. De fato, o coração envia mais mensagens ao cérebro que o cérebro envia ao coração! Como disse o filósofo francês Blaise Pascal: "O coração tem razões que a própria razão desconhece".

Estados emocionais negativos, como raiva ou frustração, geram ondas electromagnéticas totalmente caóticas do coração.

Por sua vez, os estados de amor ou gratidão, tornam o batimento cardíaco "coerente". Isso diminui a secreção das hormonas do stress, reduz a depressão, hipertensão e insónia.

Em resumo, quando você estiver  numa situação difícil, respire profundamente, lembre-se do que St. Exupéry afirmou : "o essencial é invisível aos olhos, só se vê bem com o coração! ".

  bom resto de  semana  e ... muitos sorrisos ...

O CIUME

 

 

 

Quem nunca sentiu ciúme, que atire a primeira pedra! Este complexo sentimento está presente, em doses mais ou menos razoáveis no relacionamento amoroso, entre amigos, irmãos, ou até no ambiente de trabalho. É um medo que se associa à agressividade e à desconfiança. Mas, ao contrário do que somos levados a pensar, o medo não é de perder o outro, mas sim o seu amor próprio.

Digamos que é algo muito mais egocêntrico, ou seja,  o foco sou eu e é comigo que estou preocupado pois, ao perder o outro ele está-me a transmitir a ideia de que não sou suficientemente bom para o manter comigo !

Trata-se sempre de uma relação que envolve um terceiro elemento, mesmo que seja uma entidade (o emprego, por exemplo). Podemos definir graus que vão desde o simples enciumado até ao delírio de ciúme, passando pelo vulgar ciumento.

O extremo mais grave, vai muito para além da desconfiança e entra no domínio da certeza delirante - “Fizeste a barba hoje ? Vais encontrar-te com alguém! ”... Os estados mais brandos são um sinal evidente da má estruturação da auto-estima, os intermédios revelam estados neuróticos mas, quando falamos de ciúme delirante, situamo-nos no campo de patologias psiquiátricas graves.

O ciumento patológico mantêm-se hipervigilante, tenso, aflito, numa procura constante de algo que venha a confirmar as suas suspeitas. As reacções resvalam naturalmente para a agressividade, o que vem a destruir completamente a relação. No fundo, tudo fazem para que aconteça exactamente aquilo que tanto temem... Excluindo a patologia, quem gosta de alguém preocupa-se com a pessoa e zela por ela, mas o ciúme é uma distorção desse zelo. Pode até sentir-se um pouco enciumada em situações nas quais o companheiro demonstre preteri-la, mas não vive permanentemente nesse estado. No entanto, algumas pessoas gostam de provocar ciúmes porque assim se sentem valorizadas.

É preciso ter algum cuidado, porque este jogo perverso pode virar-se rapidamente contra o próprio. Havendo ciúme, ele pode constituir um ponto de partida para questionar o que está “menos bem” na relação e também consigo próprio. O melhor é abordar claramente o assunto e perceber se existem, ou não, motivos para desconfiança. Depois, é aprender que as pessoas só permanecem umas com as outras porque assim o desejam. É uma enorme ilusão pensar que pode reter alguém junto a si contra vontade. Aliás, isso seria o cúmulo da desvalorização e da perda de amor próprio !

 

texto publicado na revista Flash! em Maio de 2005

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