FUI VER O "Voo 93"

 

Fui ao cinema assistir ao “Voo 93”. O que vos posso dizer acerca do filme é que uma grande parte do mesmo é passada nos bastidores, ou seja, nas torres de controlo, um aborrecimento para quem (como eu) não domina aquela linguagem. Só na parte final se assiste à dramatização da "suposta" revolta dos passageiros. Digo suposta, porque não está provado que se devesse a um acto de heroísmo, pois todos nós sabemos que o ser humano é capaz de ir até às últimas consequências motivado pelo instinto de sobrevivência. Para além disso, também não se conseguiu confirmar   que o avião tenha caído como consequência da acção dos passageiros (que teriam desconfiado de que ele se dirigia à Casa Branca ou ao Congresso..)

 O filme é uma ficção, mas segundo  Greengrass, pretende ser o mais fiel possível aos acontecimentos, quem o vê fica com a sensação de que faltam demasiados dados para que se possa considerar um filme histórico. Parece que o realizador britânico ouviu as famílias das vítimas. Até que ponto o seu respeito pela dor das famílias não o fez desviar-se demasiado do “alvo”? Talvez até seja ainda demasiado cedo para se abordar este tema com alguma clareza …  vou ficar à espera do filme de Oliver Stone porque este não me convenceu!

 

É LOUCURA ...

 

 Odiar todas as rosas porque uma te espetou o dedo...
Perder a fé em todas as orações porque numa não foste atendido...
Desistir de todos os esforços, porque um deles fracassou
Condenar todas as amizades porque uma te traiu...
Descrer de todo o amor porque um deles foi infiel...
Deitar fora todas as tentativas de ser feliz, porque uma tentativa não deu certo!
Espero que na tua caminhada não cometas estas loucuras...
Lembra-te que sempre:
Há uma outra oportunidade
Uma outra amizade
Um outro amor
Uma nova força
É só ser perseverante e procurar ser mais feliz a cada dia
A glória não significa "nunca" cair, mas sim erguer-se todas as vezes que for necessário!

(Autor anónimo)


 

TER UM FILHO HOMOSSEXUAL

 

 

 

O padrão de masculinidade é, desde muito cedo, extremamente exigente com as crianças. Enquanto que às  meninas ensinamos que devem ser carinhosas atentas e frágeis, transmitimos aos meninos a ideia de que um verdadeiro homem é aquele que não chora e não demonstra fraqueza em contexto algum. É quase proibido sentir medo, pena, compaixão, ternura. É suposto gostarem de brincar às lutas, serem provocadores e líderes. A maior parte dos miúdos acaba por interiorizar estas regras e agir na conformidade. Outros porém, não se sentem bem neste papel e começam a procurar alternativas. Fogem das brigas, preferem gestos de carinho, aproximam-se mais do grupo das meninas. Demonstram uma sensibilidade que os distingue dos pares e, por isso mesmo, assumem o lugar de conselheiros do grupo feminino. As meninas adoram estar com eles porque não se sentem ameaçadas, mas também não os encaram como pertencentes ao sexo oposto. Sentem-se à vontade para falar de tudo um pouco porque sabem que serão compreendidas e acarinhadas.

Certo é que, se durante a infância tudo pode passar despercebido, a diferença tende a acentuar-se na adolescência. Enquanto que o rapaz heterossexual se diverte a contar as aventuras e conquistas eróticas, o homossexual remete-se ao silêncio porque nada tem para contar. Os outros desconfiam e questionam-no nesse sentido. As dúvidas avolumam-se, a angústia tende a subir até atingir níveis insustentáveis. É sabido que a sociedade é pouco tolerante com as diferenças, seja em que domínio for, mas quando a questão se prende com a sexualidade, tudo se complica ainda mais. Na escola, os colegas têm brincadeiras e piadas maldosas mas, o grande problema começa na família já que são estes os primeiros a não o aceitar. O que se passa é que muitos pais se sentem colocados em causa e até chegam a culpar-se por isso. Questionam-se onde poderão ter errado na educação, o que se passou para que não conseguissem gerar um filho heterossexual. Alguns chegam a procurar psicólogos na tentativa de “corrigir” ou de encontrar uma cura para aquilo que pensam ser uma doença, ainda que esta concepção já tenha sido definitivamente colocada de lado pela comunidade científica. Outras famílias optam por fechar os olhos e assumem que tudo corre na perfeição, estabelecendo-se desde logo um tabu. Não se fala no assunto, porque se teme assumir a verdade. Todos sabem o que se passa, mas é um segredo partilhado no silencio.

Digamos que a ideia de ter um filho homossexual não é fácil de aceitar mas, certamente, a situação mais difícil será sempre a que é vivida pelo próprio. Alguns conseguem equilibrar-se emocionalmente, à custa de passarem a conviver com grupos sociais cuja mentalidade é mais aberta às diferenças, como é o caso do mundo das artes. Aí sentem que podem usar a sensibilidade para a criação artística, ao mesmo tempo que se sentem compreendidos e acarinhados. Outros porém, vivem uma vida inteira a defender uma fachada, que os leva a casamentos frustrados e a situações pouco claras, porque é a própria sociedade que os empurra para aí e os deixa sem grandes alternativas. Apesar de tudo, nota-se nas novas gerações uma tendência para a mudança.  A questão é colocada com maior naturalidade e pode-se falar abertamente sobre o assunto, o que já é um dado francamente positivo. O passo seguinte será a aceitação da orientação sexual de cada um, como algo intimo e só diz respeito ao próprio, colocando de lado preconceitos que há muito deixaram de ter razão para existirem.

 

texto publicado na revista Flash! em Abril de 2004

 

 




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