Sabedoria chinesa

 

Aqui fica um bom pensamento para o fim-de-semana ...

 

CASAMENTOS DE SONHO

 

Este texto resulta de uma reflexão acerca do casamento e, no fundo, da fragilidade que hoje caracteriza as relações afectivas. Na época tínhamos acabado de assistir ao casamento de dois príncipes (Dinamarca e Espanha).

 

 

Os últimos tempos têm sido férteis em casamentos que alimentaram as fantasias dos mais românticos. É sempre bonito e saudável, vermos que também os príncipes se apaixonam e que lutam pelo seu amor, à semelhança dos comuns mortais. Por exemplo, foi emocionante observar como se encheram de lágrimas os olhos do príncipe da Dinamarca e a felicidade que depois lhe estava estampada no rosto.

A auto-estima de todos nós plebeias ficou muito mais reforçada depois de constarmos que a escolha do príncipe Filipe incidiu sobre uma mulher comum, igual a tantas outras. Certamente o que o terá atraído foi exactamente isso, o facto de ser uma mulher interessante, culta, profissional e, ao mesmo tempo, detentora de uma beleza serena. Muitas foram as pretendentes que ficaram pelo caminho. Algumas certamente mais bonitas, ricas e de sangue azul mas, o mistério da atracção entre duas pessoas é algo que não se explica.

O amor é um sentimento irracional e que não se verga a tradições ou protocolos. Vimos, por isso mesmo, que o afecto pairou no ar de todos estes casamentos e fê-los quebrar algumas regras. Longe vai o tempo em que nada era assim. Os casamentos, tanto de príncipes como de plebeus, faziam-se por conveniência e não havia lugar para romantismos. Certo é que estes eram também os casamentos mais duradouros. Com as mudanças sociais que entretanto se operaram, o que passou a unir as pessoas começou a ser mediado pelo afecto. Hoje em dia, casa-se por amor, mesmo desconhecendo se o sentimento é suficientemente forte para aguentar os choques inerentes à adaptação do viver em conjunto. Casa-se por amor, mas a tolerância diminuiu, a monotonia instala-se com alguma rapidez e a solução passa inevitavelmente pelo divórcio. Seguem-se batalhas judiciais pela guarda dos filhos e  discussões infindáveis pelos bens adquiridos em conjunto. Parece então que, num ápice, se passa de um extremo ao outro na graduação dos afectos, ou seja, do amor ao ódio. Antes não era assim. De facto, há umas décadas, era comum celebrarem-se bodas de prata e de ouro. Até existem anéis que se costumam oferecer nessas datas mas, de futuro penso que os ourives vão ter de dar voltas à imaginação por forma a inventar outros símbolos, já que poucos serão os casais que atingirão essa meta. As gerações de mais velhos apontam o dedo à emancipação da mulher e consideram que tudo partiu desse ponto. Talvez tenham razão. Longe vai o tempo em que as mulheres ficavam em casa a cuidar do marido e dos filhos. Actualmente a mulher representa um triplo papel de mãe, esposa e profissional, que a faz investir muito menos no casamento. Os objectivos de vida alargaram-se a outros campos e a independência económica feminina, de certo modo, fragilizou as relações homem-mulher. É discutível se foi algo positivo ou negativo mas, certo é que o divórcio subiu em flecha e nem por isso vemos as pessoas mais felizes e realizadas.

 Texto publicado na revista Flash! em Maio de 2003




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