COMPRADORAS COMPULSIVAS

 

Todas as mulheres gostam de fazer compras, mas para algumas torna-se numa verdadeira obsessão. Um dia fui com uma amiga ao Centro Comercial Colombo e não fazem ideia das coisas que ela comprou !  Curiosamente, ela estava um pouco gordinha e algumas das roupas nem sequer lhe serviam. Quando a confrontei com esse facto, respondeu-me que esperava ficar mais magra para depois as poder usar...  Esse foi o mote que me inspirou a escrever este texto.

  É um comportamento tipicamente feminino, pelo qual já todas passámos, com maior ou menor intensidade. Um dia acordamos deprimidas, angustiadas e de mal com a vida e o primeiro pensamento que nos ocorre é o de irmos às compras. Estamos convictas que gastar dinheiro nos vai aliviar e permitir que estas emoções se dissipem. Dirigimo-nos então às lojas e compramos imensas coisas, muitas vezes desnecessárias, que nos inundam de satisfação no momento da sua aquisição. Ao comprar sentimo-nos vivas até, de certo modo, importantes e poderosas. Saciamos o vazio que a solidão nos abriu no peito, o tédio, as tensões e os problemas. Momentaneamente parece que as compras são o remédio milagroso para toda esta enfermidade, mas o pior vem depois. Passados os primeiros momentos, surge a culpa e o arrependimento.

Muitas pessoas compram coisas absurdas e caras, que nunca desejaram nem precisam, e acabam por gastar muito mais do que podem. Rebentam o plafon do cartão de crédito e só muito depois é que começam a fazer contas à vida. Surge então uma depressão de ainda maior intensidade, porque o problema aumenta de modo significativo. Não é só o desconforto emocional que, às vezes é algo que até não se sabe muito bem de onde vem, mas acrescenta-se-lhe agora um problema bem real que consiste nas dívidas acumuladas. Algumas decidem voltar às lojas e pedir que lhes troquem os artigos por coisas bastante mais razoáveis e adaptadas à realidade, outras optam por acumular roupas e sapatos, que nunca chegam a usar.

A impulsividade e a ansiedade são factores sempre presentes em qualquer tipo de compulsão, quer se trate de ter de lavar as mãos 40 vezes ao dia, verificar 5 vezes se a porta está bem fechada ou fazer compras. Estes factores estão alicerçados no facto de a pessoa se sentir infeliz com a vida que leva e, de algum modo, desejar ascender a uma vida melhor à semelhança do que lhe é transmitido pela publicidade.

Se estivermos atentos, podemos perceber que, por detrás de cada acto publicitário existe uma mensagem latente que se entranha no público-alvo. Um perfume está associado ao sexo, à beleza e à sedução. Vestir-se com uma determinada marca de roupa pode querer dizer que pertencemos a um grupo social que é respeitado e aplaudido pelos demais. As compradoras compulsivas possuem, em regra, uma falha ao nível da auto-estima, que potencializa todos os seus outros problemas emocionais. O grupo mais vulnerável é o das jovens adolescentes, pelo que não é de estranhar que proliferem lojas de roupa dirigidas a esta camada da população. Mas não são só as jovenzinhas que sofrem deste mal. Muitas mulheres mais velhas,  (teoricamente) mais estruturadas e equilibradas a nível emocional, cedem à tentação de se aventurarem num Centro Comercial e de fazerem compras de um modo compulsivo. É um acto pouco consciente que depois acarreta problemas de vária ordem se não existir a capacidade de parar para pensar e, deste modo inverter o sentido das coisas. É que o vazio não se pode preencher com bens materiais e, se a infelicidade está a marcar pontos torna-se urgente encontrar outros caminhos que não passem pela ruína financeira.

 

Artigo publicado na revista FLASH! em Abril de 2004

Madrid proíbe modelos demasiado magras nas passerelles

 

 

As modelos excessivamente magras (com massa corporal inferior a 18) estão proibidas de participar dos desfiles do Madrid Fashion Show. Isso significa que, por exemplo, um modelo que tenha 1.75m, terá de pesar pelo menos 56 kg. Esta medida fez com que um terço das modelos que participaram o ano passado nos desfiles, fossem recusadas. É a primeira vez que se estabelece essas restrições num desfile internacional, mas já num recente desfile de noivas, em Barcelona, não foram aceites modelos com tamanho inferior a 38. Os designers espanhóis estão a sofrer pressões da parte do Governo de modo a diminuir a tendência para o surgimento de desordens alimentares em adolescentes.

Segundo os organizadores, pretende-se "assegurar que a opinião pública não associe moda e shows de moda, em particular, com o aumento da anorexia".

A iniciativa é de louvar, embora me caiba acentuar a ideia de que a anorexia é uma patologia mental que é desencadeada pelo somatório de diversos factores. A influência dos media e o desejo de possuir uma imagem corporal semelhante à das modelos, é apenas uma gota num enorme oceano, cujas águas estão repletas de angústias e problemáticas mal resolvidas.

 

Natascha e a Síndrome de Estocolmo

 

Muitos ficaram espantados por Natascha Kampusch  (a menina raptada com 10 anos de idade e que se conseguiu libertar passados 8 anos de cativeiro), nutrir alguma simpatia pelo seu raptor. Os especialistas apressaram-se então a esclarecer que se estávamos a presenciar mais um exemplo do Síndrome de Estocolmo. Como tenho sido frequentemente interpelada no sentido de explicar o que se trata, aqui fica uma sucinta explicação do fenómeno.

A Síndrome de Estocolmo é um estado psicológico desenvolvido por pessoas que são vítimas de rapto ou detidas contra a sua vontade. Caracteriza-se pelo facto de desenvolverem um relacionamento afectivo com o(s) seu(s) raptor(es). Essa solidariedade pode transformar-se em cumplicidade, chegando ao ponto de serem eles próprios que ajudam os raptores a alcançar os objectivos ou a fugir da polícia. Pequenas amabilidades por parte dos agressores são frequentemente amplificadas porque, do ponto de vista do refém é muito difícil, senão impossível, ter uma visão clara da realidade e conseguir avaliar o perigo. As tentativas de libertação, são vistas como uma ameaça, porque o refém tem medo de ser magoado. É importante acentuar que este síndrome surge como consequência de um stress físico e emocional extremo. Trata-se de um mecanismo de defesa, inconsciente, e uma estratégia de sobrevivência por parte das vítimas.  Deste modo pode haver um afastamento emocional da realidade perigosa e violenta à qual à pessoa está a ser submetida. No entanto, a vítima não se torna totalmente alheia à situação e parte da sua mente está em permanente alerta ao perigo. Por este motivo, a maioria das vítimas tenta escapar do sequestrador mesmo tratando-se de casos em que o tempo de cativeiro foi longo. O nome é uma referência ao famoso assalto de Norrmalmstorg,  em Estocolmo, que durou 3 dias ( de 25 a 28 de Agosto de 1973). Após a libertação, constatou-se que as vítimas continuavam a defender os seus raptores e mostraram um comportamento reticente nos processos judiciais que se seguiram. Inclusive duas das vítimas acabaram por casar-se com sequestradores após o processo terminar. O termo deve-se ao criminólogo e psicólogo Nils Bejerot, que ajudou a polícia durante o assalto, e que se referiu à síndrome durante uma reportagem televisiva. Desde então essa terminologia foi adoptado pela psicologia.

O caso mais famoso deste síndrome é o de Patrícia Campbell Hearst, herdeira do império jornalístico de William Randolph Hearst.  Patrícia foi raptada pela organização militar politicamente engajada (Exército de Libertação Simbionesa) durante um assalto a um banco . Depois de libertada do cativeiro, juntou-se aos seus raptores, e passou a ser cúmplice em assaltos por eles perpetrados. Capturada pela polícia passou 23 meses na prisão. Usufruiu de dois perdões presidenciais - um de Jimmy Carter, que a libertou em 1979, e outro de Bill Clinton, cujo decreto em 2001 fez com que ficasse sem cadastro. Tudo isto porque os advogados da milionária conseguiram provar, com base em relatórios médicos, que sua cliente sofria de Síndrome de Estocolmo. Na sua biografia, lançada em 1981, afirma ter sido movida por uma mescla de "medo e convicção da causa". Porém, relata ter sofrido torturas físicas, psíquicas e sexuais enquanto esteve sequestrada.




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