RELAÇÕES VIRTUAIS

 

O que faz com que a procura de canais de conversação seja cada vez maior ? Como é possível que as pessoas abordem imediatamente assuntos intimos, quando estão num Chat na Net? Será que nos está a faltar suportes sociais realmente gratificantes ? Foram este tipo de questões/inquietações, que me levaram a fazer esta curta reflexão...

A solidão é, sem dúvida alguma, um dos maiores problemas das sociedades modernas. As pessoas vivem isoladas nos seus mundos, num corre-corre constante em que não há tempo para estabelecer laços afectivos. À noite, ao chegarem a casa, constatam que estão sós e não têm com quem falar, com quem partilhar as experiências do dia. Neste contexto, surge a necessidade de procurar algo que satisfaça essa necessidade, que preencha esse vazio interior.

 

 

De há poucos anos a esta parte, uma das alternativas passou a ser Internet. Com a abertura do mundo virtual, tudo se modificou. Quem tiver um pouco de curiosidade acerca do assunto, pode facilmente aceder a um site de encontros virtuais e constatar na prática, o enorme leque de opções. Pode começar por um chat de conversação, mas também pode optar por algo mais e querer encontrar um parceiro à sua medida. É só dizer a idade que pretende, o sexo, o estado civil, as habilitações literárias … que lhe surge uma lista de nomes com as respectivas fotografias sorridentes e convidativas. Claro está que este tipo de ofertas sempre existiram nas revistas e jornais, mas agora há a facilidade de se poderem contactar imediatamente via e-mail, o que acelera todo o processo de conhecimento. Então, aparentemente, deixaram de haver motivos para existir solidão. Tudo está à distância de um clic! Será esse o motivo que leva a existirem cada vez mais pessoas dependentes da Net? A situação é de tal modo grave que na América já existem terapeutas especializados nesta área, uma vez que o número de casos não pára de aumentar.

A outra opção, como já referi, são os chats de conversação. A Internet permite que uma ou várias pessoas comuniquem entre si, ainda que se desconheçam por completo. Dessas conversas virtuais ao nascimento de um romance, vai um passo muito pequeno. É que as relações no espaço virtual avançam a um ritmo muito maior que no tempo real. Aliás, os internautas são de opinião que as relações virtuais são até mais autênticas, uma vez que não há necessidade de uso de máscaras. As pessoas expõem-se com muito maior naturalidade, uma vez que estão protegidas pelo anonimato. Além disso, sabe-se que a atracção não está assente em factores físicos, mas sim numa empatia meramente intelectual. Estudos feitos neste âmbito, revelaram que o modo como se escreve, os smileys usados, a cor da letra, são factores de extrema importância neste jogo de sedução. Teclar  sem graça, não ter desenvoltura na expressão escrita, é o mesmo que ser gordo e feio na vida real...

A conversa pode começar por ser muito banal mas, se houver empatia, facilmente passa para outro nível de intimidade. Há partilha de segredos e de histórias de vida. O outro transforma-se num confidente que, embora sem rosto, passa fazer parte do universo mais íntimo. Pouco a pouco, a fantasia vai desempenhando o seu papel e um rosto lhe é adivinhado, assim como um corpo e também um carácter. O passo seguinte é o conhecimento real. Marcar o primeiro encontro que, frequentemente, é a grande desilusão ! Imagina-se algo que não corresponde inteiramente à realidade e a ruptura adivinha-se. Alguns, porém, sobrevivem ao embate e chegam até a aprofundar a relação contudo, poucos são os que admitem socialmente que conheceram a/o companheiro/a desta forma. Parece existir todo um preconceito em torno das relações afectivas que começaram via Net. Possivelmente, porque seria uma forma mostrar ao mundo, que a solidão um dia foi forte demais e que serviu de mola para a procura de um ombro amigo… ainda que virtual !

 

Artigo publicado na revista FLASH! em Março de 2004

MODALISBOA

 

Ir à Modalisboa é sempre uma experiência muito engraçada. Encontram-se os estilistas, as manequins, os jornalistas ... e com todos é possível conviver de uma forma simples e descomprometida. Depois há todos aqueles que vão assistir aos desfiles e que, de certo modo, tentam enquadrar-se no espírito do evento. Puxam pela criatividade e vestem-se de um modo mais fashion e então há de tudo um pouco. Desde os muito bem vestidos, até aqueles de gosto duvidoso, passando por toda uma panóplia de estilos e de atitudes.

Quanto aos desfiles... não vos posso dar uma visão muito abrangente, porque só assisti a dois : Lanidor e Luís Buchinho (também tinha convite para a Ana Salazar mas, muito sinceramente, não é uma moda que eu aprecie portanto não fui). Daquilo que vi, acho que há uma tendência para o “não embelezamento” da mulher. Salvo raras excepções, as roupas são largas, sem forma definida. Os sapatos são algo indescritível, pois parecem ser pouco confortáveis e de tacão altíssimo. Eu sei que apenas são tendências e que depois cada um constrói o seu próprio estilo mas posso dizer-vos que não gostei muito. Lembrei-me, nostalgicamente, da moda do GRANDE José Carlos. Esse sim, sabia vestir as mulheres de modo a valorizá-las. Com o seu desaparecimento, os meus estilistas favoritos passaram a ser o João Rolo e José António Tenente mas, como vos disse, a esses desfiles não assisti




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