Ditadura da beleza

 

Como as aparências iludem !!!  Hoje temos ao nosso serviço uma série de tecnologias que operam milagres e a beleza passou a ser  algo tão relativo! Por exemplo, aquilo que nos é mostrado nos outdoors é a ponta de um imenso iceberg. Certo é que muitas pessoas (sobretudo as mulheres mais jovens), tendem a colar-se a estas imagens de beleza, muitas vezes inexistente. Comparam-se a elas e sentem-se muito aquém ... pois... não é possível competir com "belezas fabricadas", essa é a dura realidade.

Com o objectivo de desmistificar algumas imagens / ideias veiculadas quer pela publicidade, quer pela própria sociedade onde estamos inseridos , a marca Dove lançou uma campanha que eu acho absolutamente fantástica. Pretende-se que cada um se aceite como é, valorizando os pontos fortes e colocando em segundo plano os pontos fracos. Porque, afinal de contas, na diversidade é que está a riqueza  e, se as nossas imagens forem todas retocadas por computador, mais hoje, mais amanhã, não passaremos de clones uns dos outros.

Cliquem no link e vejam o pequeno filme...(vale a pena )

http://www.campaignforrealbeauty.com/home_films_evolution_v2.swf 

 

DESILUSÕES

 

À medida que a vida vai avançando, desenrola-se um processo de auto e hetero conhecimento. Constatamos, então, que muitos amigos não passam de “amigos” e isso desilude-nos, entristece-nos e, no limite, provoca-nos zanga!

 

 

Ao dizermos que alguém nos desiludiu estamos, ao mesmo tempo, a afirmar que nos deixámos levar pela ilusão. Ilusão essa que vive de mãos dadas com o sonho ... o tal  que comanda a vida. Iludimo-nos, quando olhamos para alguém e o que vemos não corresponde, de facto, à realidade. Quando julgamos precipitadamente, quando nos esquecemos de ligar o “desconfiómetro”, e queremos muito, mesmo muito, acreditar que os nossos sonhos, os nossos desejos, estão ali materializados.  De algum modo, tudo funciona como se colocássemos, ainda que temporariamente, umas lentes cor-de-rosa em frente aos olhos e observássemos o mundo através delas. 

Mesmo com a consciência de que a desilusão é fruto da ilusão, certo é que nos magoamos e da mágoa nasce a zanga. Zanga contra o outro, mas também contra nós próprios, por estarmos, mais uma vez, a cair nos mesmos buracos, por não teremos sido capazes de nos proteger da dor. Queixamo-nos então do desamor, de termos dado muito mais do que recebemos, de não nos ter sido conferido o verdadeiro valor, de apenas termos estado ali ... num lugar onde a solidão não nos tardou a desalojar.

Zangamo-nos com os amigos, aqueles que se mostram sempre disponíveis para estar com os outros amigos ( em regra com os que estão sempre animados, para quem a vida tem de ser vivida em clima de perpétuo carnaval) e que pouco se importam em apoiar-nos nos momentos mais cinzentos. Lembramo-nos das alturas em que lhes servimos de muleta para as horas más, de todas as vezes que gargalhámos em sintonia por coisas despropositadas. Revoltamo-nos, à falta de melhor alvo, com os nossos pais, que não souberam preparar-nos convenientemente para lidar com os outros, para percebermos as suas intenções logo desde o prefácio, sem termos de nos arrastar até ao epílogo. É verdade ... zangamo-nos também com Deus nas suas diversas formas. Questionamo-nos se somos, de facto, merecedores de tudo isso. Principiamos então a colocar um travão, o que passa por um desinvestimento emocional igual, ou até superior, ao que tínhamos inicialmente investido naquela relação.

Cortamos com quem nos desiludiu ou, muito simplesmente, nos vamos afastando emocionalmente. Deixamos de nos importar se está bem ou mal, respondemos horas depois aos sms que nos envia, “esquecemo-nos” de retribuir o telefonema não atendido, deixamos de pensar nele para partilhar o que quer que seja. Muitas vezes, o outro, o que no desiludiu, nem se apercebe que este processo se iniciou mas, virá o dia em que nos bate à porta e só então constata que a casa está vazia !

 

Artigo publicado na revista FLASH! em Julho de 2005

 




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