MARCIANOS E VENUSIANAS

 

Um tema que desde sempre me atraiu foi o da dicotomia mulheres/homens. Tinha acabado de  ler o fantástico livro de John Gray “As mulheres são de Vénus e os homens são de Marte” quando decidi escrever este artigo ...

 

 

                                 

 

O mundo feminino é, sem sombra de dúvida, muito distinto do masculino. O psicólogo John Gray,  numa tentativa de explicar estas diferenças, afirma no seu livro que as mulheres inicialmente viveriam em Vénus e os homens em Marte. Um dia acabaram por se encontrar e viveram felizes enquanto mantiveram a lembrança de que provinham de planetas diferentes, com hábitos e linguagens também distintas. Só que um dia esqueceram-se disso e começaram as exigências.  O conflito instalou-se...

Certo é que as diferenças são notórias. Por exemplo, os homens são muito mais pragmáticos, e nós bastante mais sonhadoras. Quando os homens estão tristes ou preocupados com algo, procuram aquilo que John Gray chamou  “a caverna” isto é, optam por ficar recolhidos, não falam sobre o problema, mas agem. Fazem muitas coisas, sobretudo com os seus pares. Vão ao futebol, organizam jantaradas, saem em grupo, tudo para que o problema não assuma grandes proporções. Tendem também a ocupar-se de uma questão de cada vez, caso contrário é meio-caminho andado para a desorientação. Já as mulheres, quando estão tristes, ou zangadas, querem falar sobre o que se passou, sobretudo com o companheiro. Então, se perante a mesma situação um assume uma atitude que é diametralmente oposta à do outro, surge o conflito.  Para além disso, o cérebro feminino tem capacidade para pensar em variadíssimas coisas ao mesmo tempo.

Bastam estas diferenças, para compreendermos melhor o porquê da dificuldade de homens e mulheres se entenderem. Nós, as “Venusianas”, queixamo-nos que eles, os “Marcianos”, não nos ouvem, não nos dão atenção suficiente, não se mostram disponíveis para atender ás nossas necessidades emocionais. Eles, por sua vez, não chegam sequer a perceber do que é que falamos, e por vezes até se esforçam por corresponder às nossas expectativas mas como não sabem quais são, acabam por se sentir frustrados e desistem. Tudo isto se prende, por um lado com a ausência de diálogo e por outro, com a capacidade de empatia. Como é sabido, a empatia é inata a qualquer Ser Humano. Um bebé que oiça outro bebé chorar, rapidamente embala também no choro. O que se passa é que, desde muito cedo, os rapazes são educados no sentido de não expressarem facilmente as emoções, ou seja, a educação vai esbatendo a capacidade de empatia. Interessante é pensarmos que são as mulheres as maiores responsáveis por tudo isto, já que, no seu papel de mães, lhes cabe uma grande parte da tarefa de educar os rapazinhos. Assim sendo, depois queixamo-nos de quê?!?

 

Artigo publicado na revista FLASH! em Agosto de 2005
GRANDE RUI !

 

 

Rui Veloso é um dos cantores/músicos que mais aprecio e que nunca me canso de ouvir. Existe um casamento perfeito entre as músicas que faz e as letras de Carlos Tê. Embora goste de quase todas as músicas (tenho os álbuns todos  ) ... nutro um especial apreço pelo “Lado lunar”, “A gente não lê”, “As regras da sensatez” , “Corações periféricos”, “Logo que passe a monção”, “Primeiro beijo”, “O prometido é devido” e, mais recentemente pela “Canção de alterne” e “Não percas o teu mistério” (ambas do último álbum “A espuma das canções”). 

 

Ao contrário do que se passa com muitas músicas que proliferam por aí, a dupla Veloso/Tê consegue manter um nível muito elevado em todos os trabalhos. As músicas/letras traduzem-se em mensagens que associamos a situações que já todos vivênciamos. Lembro-me por exemplo do poema de “As regras da sensatez” :

 

Nunca voltes ao lugar
Onde já foste feliz
Por muito que o coração diga
Não faças o que ele diz

(...)

Nada do que por lá vires
Será como no passado
Não queiras reacender
Um lume já apagado

            (...)

Em  “Não há estrelas do céu” ilustra de uma maneira magistral a fase da adolescência e o clássico “Porto sentido” será sempre recordado como uma canção de amor dedicada à capital nortenha (ainda mantenho a esperança de um dia ele nos venha a presentear com uma música dedicada a Lisboa ... ) . Certo é que RV amadureceu, cresceu como pessoa e como músico. É caso para dizer que “a idade fica-lhe tão bem!” ...

   




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