A cobiça

 

Deixo-vos aqui um pequeno conto de Jorge Bucay, um dos meus autores favoritos em matéria de psicologia. Bucay é Argentino, psicológo e psicoterapeuta e um dos grandes pensadores deste século. Os seus livros são absolutamente deliciosos e apesar de terem um fundo psicológico, são de fácil leitura mesmo para leigos.

 

           

                         Bosch, Os Sete Pecados Mortais - (Museu do Prado,Madrid)

 

 

“ Ao cavar para erguer uma cerca que separasse o meu terreno do do meu vizinho encontrei, enterrado no jardim, um velho cofre cheio de moedas de ouro.

Não foi pela riqueza que ele me interessou, mas pela estranheza do achado.

Nunca fui ambicioso, e os bens materiais não são muito importantes para mim...

Depois de desenterrar o cofre, tirei as moedas e dei-lhes brilho.

Estavam tão sujas e enferrujadas, as pobres!

Enquanto as estava a empilhar ordenadamente em cima da minha mesa, comecei a contá-las...

Constituíam uma verdadeira fortuna.

Só para passar o tempo, comecei a imaginar todas as coisas que se podiam comprar com elas...

Pensava no contentamento que sentiria um ambicioso que encontrasse tamanho tesouro ...

Por sorte...

Não era o meu caso...

 

Hoje veio um homem reclamar as moedas.

Era o meu vizinho.

Pretendia garantir, o grande miserável, que as moedas tinham sido enterradas pelo seu avô e que portanto lhe pertenciam.

 

Aborreceu-me tanto...

Se não o tivesse visto tão desesperado por possuí-las ter-lhas-ia dado

Porque não há quem se importe menos

Do que eu com estas coisas que se compram com dinheiro...

Mas a grande verdade

É que não suporto pessoas gananciosas ...”

 

(texto “A cobiça” in  Contos para pensar, Jorge Bucay)

COISAS (TRISTES) DA VIDA

 

Não posso afirmar que fosse um amigo. Estive com ele, no mês passado, apenas algumas horas durante um agradável jantar de amigos. César era um jovem jornalista (com 34 anos, se a memória não me falha), com um sorriso tímido mas com uma enorme simpatia. Quis o destino que encontrasse a morte numa viagem de férias, quando a avioneta onde seguia se despenhou algures no Chile. Sei que a morte é uma inevitabilidade da vida, mas questiono-me se alguma vez nos sentiremos preparados para aceitar a partida de alguém...   




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