
Como o prometido é devido, aqui fica um postalzinho especialmente dedicado aos meus alunos do 1º ano do curso de Licenciatura em Enfermagem da Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa
Um beijinho para todos
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… e estamos quase, quase no Natal !
Meu lado de criança continua a ficar deliciado com os enfeites das montras e com a iluminação das ruas. Ainda ontem, às 22 horas, quando voltava da Clínica onde estive a dar consultas, decidi dar uma voltinha um pouco maior e rodei vagarosamente pela avenida da liberdade, rossio, até ir dar à magnífica árvore de natal que colocaram na praça do comércio. Quando lá cheguei, parei o carro e fiquei a olhar para todas aquelas luzes que piscavam compassadamente. O frio e a cortina de neblina que havia junto ao rio, desenhavam um quadro tipicamente desta época. Que bonito!

O carinho que me dispensaram ao longo deste ano foi a mais bela prenda que eu poderia ter. Agradeço-vos do fundo do coração e desejo a todos os meus amigos (virtuais ou de "carne e osso"), leitores, visitantes anónimos, comentadores assíduos ou de ocasião…um EXCELENTE NATAL!
Um beijinho carinhoso da Teresa Paula Marques

“Quando eu era pequeno, adorava o circo e aquilo de que gostava eram os animais. Cativava-me especialmente o elefante que, como vim a saber mais tarde, era também o animal preferido dos outros miúdos. Durante o espectáculo, a enorme criatura dava mostras de ter um peso, tamanho e força descomunais… Mas, depois da sua actuação e pouco antes de voltar para os bastidores o elefante ficava sempre atado a uma pequena estaca cravada no solo, com uma corrente a agrilhoar-lhe uma das suas patas. No entanto, a estaca não passava de um minúsculo pedaço de madeira enterrado uns centímetros no solo. E, embora a torrente fosse grossa e pesada, parecia-me óbvio que um animal capaz de arrancar uma árvore pela raiz, com toda a sua força, facilmente se conseguiria libertar da estaca e fugir.
O mistério continua a parecer-me evidente.
O que é que o prende, então?
Porque é que não foge?
Quando eu tinha cinco ou seis anos, ainda acreditava na sabedoria dos mais velhos. Um dia, decidi questionar um professor, um padre e um tio sobre o mistério do elefante. Um deles explicou-me que o elefante não fugia porque era amestrado.
Fiz, então, a pergunta óbvia:
-Se é amestrado, porque é que o acorrentam?
Não me lembro de ter recebido uma resposta coerente. Com o passar do tempo, esqueci o mistério do elefante e da estaca e só o recordava quando me cruzava com outras pessoas que também já tinham feito essa pergunta.
Há uns anos, descobri que, felizmente para mim, alguém fora tão inteligente e sábio que encontrara a resposta:
O elefante do circo não foge porque esteve atado a uma estaca desde que era muito, muito pequeno.
Fechei os olhos e imaginei o indefeso elefante recém-nascido preso à estaca. Tenho a certeza de que naquela altura o elefantezinho puxou, esperneou e suou para se tentar libertar. E, apesar dos seus esforços, não conseguiu, porque aquela estaca era demasiado forte para ele.
Imaginei-o a adormecer, cansado, e a tentar novamente no dia seguinte, e no outro, e no outro... Até que, um dia, um dia terrível para a sua história, o animal aceitou a sua impotência e resignou-se com o seu destino.
Esse elefante enorme e poderoso, que vemos no circo, não foge porque, coitado, pensa que não é capaz de o fazer.
Tem gravada na memória a impotência que sentiu pouco depois de nascer.
E o pior é que nunca mais tornou a questionar seriamente essa recordação.
Jamais, jamais tentou pôr novamente à prova a sua força...
In "Deixa-me que te conte" de Jorge Bucay

Quando se está apaixonado, tudo passa a rodar em torno do parceiro. Importa arranjar tempo para estar com ele seja de que maneira for, e todos os minutinhos são preciosos. Neste contexto, muitas vezes o que acontece, é que as amigas são colocadas na prateleira. Ou seja, se antes havia uma cumplicidade estreita, os telefonemas eram diários quer fossem a propósito ou a despropósito, de repente surge o silêncio. Deixa de haver tempo para estar com elas, o que acaba por gerar algum ressentimento. Umas afastam-se totalmente, outras limitam-se a encolher os ombros e a ficar à espera que passe a fase de paixonite aguda, para que tudo volte à normalidade.
Curioso é constatar que isto raramente acontece no universo masculino. O homem nunca deixa de jogar futebol, beber uma cerveja com o grupo de amigos e manter contactos regulares com eles. A mulher, por sua vez, afasta-se quase por completo e passa a viver intensamente para o romance.
Alguns psicólogos consideram que está subjacente um desejo de corte com o passado, época em que o parceiro não existia. Havendo uma quebra com essa época e com tudo o que a pode representar, evitam-se também cenas de ciúmes. Não existe ninguém que possa testemunhar as saídas nocturnas, os jantares só de mulheres em que se comentavam os homens... Para além disso, alguns homens são de opinião que as amigas solteiras e sem namorado, são um perigo para a parceira, já que a podem aliciar e levar para “maus caminhos”. Tratam então de isolá-la das possíveis tentações, para que não hajam problemas. Só que o isolamento só se dá se a mulher o permitir. Não vale a pena apontar o dedo ao namorado e responsabilizá-lo a cem por cento, uma vez que a responsabilidade é partilhada.
Certo é que muitas mulheres ao começarem a namorar, deixam de olhar para os lados e, sobretudo para trás (para esse passado onde as amigas são uma peça-chave) e investem tudo no namoro. Este é um erro crasso, pois cada coisa tem de ser colocada no seu lugar e, havendo vontade, o tempo chega para tudo.
Inevitavelmente, à medida que o tempo vai passando, vão sentindo a falta de alguém com quem ir ao centro comercial fazer compras, tomar um cafezinho ou apenas falar ao telefone. Mas se a relação dá certo, esse vazio acaba por ser preenchido com as namoradas dos amigos dele. No caso de tudo se desmoronar, lá voltam a aproximar-se e a retomar as amizades que foram interrompidas. Até que o próximo namoro as separe...
texto publicado na revista FLASH! em Abril de 2006
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