O DIA DO NOSSO ANIVERSÁRIO

 

 

Este texto, publicado na FLASH! em Agosto de 2005, foi dedicado a um amigo que fazia anos exactamente no dia em que a revista iria sair para as bancas. Como ele andava deprimido e sem sentido para a vida, achei que uma surpresa destas o iria fazer sorrir (eu sabia que ele ia ver a revista, pois é distribuída no seu local de trabalho)

                                                           

Cada um de nós vive (e sente) o dia do aniversário à sua maneira. É um dia egocentrado, em que as atenções estão voltadas para o aniversariante mas, a nível mais profundo tudo roda em torno de duas questões:

Quem gosta realmente de mim?

Quem se preocupa comigo?

A dúvida leva a que alguns deprimam, se fechem em casa, desliguem o telefone e evitem assim fazer o teste da realidade. Outros mantêm-se expectantes. Aguardam ansiosamente que o telefone toque, mas antes disso já organizaram um jantar, o que permitiu que os outros ficassem a saber que faziam anos. Se uns convidam apenas os mais íntimos, outros só se sentem preenchidos se convidarem amigos, conhecidos, conhecidos dos conhecidos... já que importa manter a ilusão (pelo menos durante aquelas horas) de que existem 50 pessoas que gostam deles. Claro está que muitos estão ali como poderiam estar noutro sítio qualquer, mas isso passa a ser uma questão secundária.

Para além disso há as prendas, o que pode parecer um pormenor, mas não é! Uma prenda é, por excelência, um objecto simbólico. Simbolismo esse que tem pouco a ver com o valor real, mas sim com o afectivo. Ao oferecermos algo, estamos a transmitir uma de duas ideias, ou que não nos preocupámos nada e escolhemos a prenda “chapa 5” ,ou que houve um investimento afectivo que nos fez tentar encontrar algo especial e que pensamos ir agradar ao aniversariante. A prenda é mais um factor que testemunha o carinho e a atenção dispensados.

Sendo um dia diferente, há tendência para fazermos um balanço de vida. Pensamos no que ficou para trás, no que mudou desde o último aniversário e de que modo a idade nos afecta. Certo é que, se a juventude nos faz viver as coisas de um modo leve e descomprometido, à medida que a idade avança, a maturidade permite-nos olhar para a vida sob outros prismas, clarificar aquilo que queremos ou, mais que não seja, dá-nos a noção clara daquilo que não queremos... Mas a maturidade é “um pacote “ do qual também fazem parte as rugas, celulite, cabelos brancos, gordurinhas... pois é... mas, a meu ver, tudo isto passa a ser secundário se sentirmos que valeu a pena, que aprendemos com as experiências vividas e se, ao olharmos para o espelho, ele nos reflectir a imagem de alguém que soube posicionar-se correctamente face aos outros e a si mesmo. Porque, como dizia um amigo que já partiu, “um homem não se avalia por aquilo que atingiu, mas sim pelo caminho que percorreu para lá chegar!”, só assim estaremos realmente de Parabéns!

 

  ... psst ...não digam a ninguém, mas hoje é o dia do meu aniversário, por isso escolhi este tema  




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