Mãe…

 

OBRIGADA por todos os passeios que fizemos juntas correndo pela praia,
rolando nas areias húmidas e quentes de verões passados.

OBRIGADA por tantas vezes
me teres  protegido da chuva, do frio...
Por me teres mostrado a beleza das estrelas
OBRIGADA por não me deixares triste,
por enxugares as minhas lágrimas...
OBRIGADA por teres olhos somente para mim mesmo quando,
às vezes, os meus se fecham por falta de bom senso.

OBRIGADA por cada sorriso que me ofereceste,
por cada beijo, por cada abraço... e que abraços!!!
OBRIGADA por poder adormecer inúmeras vezes no teu regaço
sentindo o teu cheiro e o calor inconfundível do teu corpo protector.

OBRIGADA por estares sempre  preocupada comigo
mesmo quando estou diante de teus olhos...

OBRIGADA por nunca demonstrares desânimo
para atender as minhas exigências...
Por preparares o prato mais delicioso...

OBRIGADA por jamais me teres negado um carinho
mesmo quando o cansaço te atravessava a alma...

OBRIGADA por acreditares em mim no momento que a minha vida
parecia um barco sem rumo,
OBRIGADA por seres a luz que brilha na escuridão,
por me dares forças para vencer as vicissitudes nas horas de ínfimo desgosto...

Diria que és como aquela suave brisa que ameniza o sol abrasador,
um universo em miniatura no alcance das minhas mãos,

OBRIGADA por me teres aturado quando da primeira desilusão, da segunda...ah.. e da última também!

OBRIGADA por existires...

 

És a melhor mãe do mundo!

adaptado de um poema de Milton Cavalieri

 

DE MASOQUISTAS a SÁDICOS ...

 

Cada um de nós tem um modo próprio de se relacionar com os outros. Este modo constitui uma espécie de padrão que, inconscientemente, vamos repetindo. Talvez a maior parte das pessoas nem se aperceba que assim é, até ao momento em que olha para trás e ao fazer uma introspecção, percebe que há pontos comuns. O problema da repetição de padrões é que travam a evolução. Tudo permanece exactamente na mesma e, por conseguinte, acabamos por nos sentir atraídos e também por atrair, sempre o mesmo tipo de pessoas. Outra situação bastante comum tem a ver com o binómio masoquismo/sadismo… passo a explicar. É frequente ouvirmos relatos de situações penosas, de pessoas que foram maltratadas quer física, quer psicologicamente (aliás, não existem maus tratos físicos sem que o emocional fique afectado, portanto nunca entendi muito bem os porquês desta distinção, mas adiante …) e que se ali se mantiveram até que as sequelas se tornaram profundas e irreparáveis. Este acto de puro masoquismo, tem custos internos tão elevados que se mantêm para toda a vida e que assumem as mais diversas formas. Alguns tornam-se frios, indiferentes aos afectos. Relacionam-se superficialmente, não se deixam tocar porque temem vir a passar pelo mesmo. Invariavelmente acabam sozinhos, porque perderam a capacidade de amar. Outros transformam-se em agressores, como tentativa de consertar, através da vingança, tudo aquilo que se partiu dentro deles. Já Freud dizia, que primeiro era preciso ser-se masoquista e só depois se poderia ser sádico ou seja, um sádico fora outrora um masoquista. Agridem todos aqueles que de algum modo têm o azar de estar “no lugar errado, na hora certa”, maltratam quem se aproxima emocionalmente o suficiente para ser atingido. Percebem as fraquezas do outro e atacam-no por aí. Desrespeitam-no, humilham-no, vão operando uma destruição progressiva da auto-estima a ponto de o escravizarem por completo. Aí (de novo) existem duas hipóteses. Ou o outro se mantém nesta relação Sadomasoquista, ou salta fora enquanto pode juntar os pedaços da auto-estima que lhe resta, e foge a este ciclo vicioso. Caso contrário, será mais um sádico em potência. É óbvio que tudo isto se passa a nível inconsciente, como tal, era de extrema importância que, tanto maltratantes como maltratados procurassem ajuda psicoterapêutica. Tomar consciência das coisas pode ser doloroso, mas é o único caminho para a mudança de padrões e para a quebra de ciclos viciosos.

 

Texto publicado na revista Flash! em Dezembro de 2005




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