PAI - O PRIMEIRO HOMEM DAS NOSSAS VIDAS

O pai é o primeiro, e o mais importante homem na vida de uma mulher. Desde pequeninas que gostamos de nos sentir protegidas e mimadas por aquele ser, que para nós é o maior e o melhor de todos. Trata-se de uma espécie de herói , que acreditamos ter sido roubado a um conto de fadas.
Durante a infância a sua existência é tão importante, que mesmo quando não existe, as filhas apressam-se a criar um na sua imaginação. Por vezes há o recurso a alguém que está próximo, como um tio ou um vizinho, para que o vazio fique preenchido. Certo é que vemos o mundo através dos olhos dos nossos pais. São figuras estruturais que marcam a nossa personalidade e se transformam, inconscientemente, em modelos. Assim, não é de estranhar que a figura paterna seja, também, decisiva na escolha de um parceiro. Quem teve um pai cúmplice e carinhoso, por exemplo, dificilmente conseguirá adaptar-se a uma relação em que o parceiro seja frio e distante. Quando o exemplo é negativo, o que geralmente sucede é que a mulher vai tentar encontrar um homem com os mesmos problemas do pai, para inconscientemente resolver questões passadas. Isto explica porque é que muitas filhas de alcoólicos acabam por escolher parceiros alcoólicos, ou porque é que filhas maltratadas vão “procurar” homens maltratantes. Para além de tudo, aprenderam um certo padrão de comportamento e é nesse meio que se sentem confortáveis. No entanto, ao agirem deste modo vão perpetuar o ciclo de relacionamentos pouco gratificantes.
Podemos dizer que por detrás de alguns problemas de relacionamento, estão questões profundas que se prendem com a imagem que interiorizamos do nosso pai. Isto pode ser positivo ou negativo, mas não é um fatalismo ao qual não é possível escapar.
Algumas mulheres, munem-se de toda o seu optimismo e de vontade de encontrar alguém que as faça feliz, e esta energia ultrapassa todas as marcas que o passado deixou. Outras, depois de coleccionarem relações falhadas, apercebem-se que podem estar a “pagar a factura” desse passado infeliz e procuram uma ajuda especializada, para que consigam quebrar o padrão. O problema reside nas outras todas, naquelas que se mantêm dependentes de homens que as maltratam. Dão tudo por tudo para conquistar o respeito e o carinho de alguém que apenas existe para lhes destruir o pouco que resta da auto-estima. É que, mesmo nos contos de fadas existem monstros e o nosso pai (aquele que deveria ser acima de todas as suspeitas), infelizmente, pode ser um deles...
Texto publicado na revista FLASH! em Outubro de 2006
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