EU AINDA SOU DO TEMPO …

 

 

Este tema surge de uma conversa com um adolescente que se queixava (à boa maneira de adolescente), que os pais não lhe compravam um portátil topo de gama! Tentei explicar-lhe que isso não era motivo para zangas, amuos e outras chantagens emocionais, pois ele já tinha um computador com tudo o que alguém pode desejar. Posteriormente recebi um email muito engraçado em que se comparava os anos 80 com a actualidade. Lembrei-me então dos meus tempos de adolescente, em que não haviam telemóveis, computadores, MP3 …. claro está que eu e os meus amigos também fazíamos as clássicas medições de forças com os nossos papás, mas, parece-me a mim, que não éramos tão pedinchões e exigentes. Estarei enganada ?

 

                                     

 

Ouvimos frequentemente dizer, ás pessoas de gerações mais antigas, frases do tipo “eu ainda sou do tempo”, ou “no meu tempo as coisas eram diferentes”. Estas ideias somos novos não fazem qualquer eco, já que temos a sensação que o nosso tempo é bem distinto do tempo de que nos falam os mais velhos. Contudo, á medida que a vida vai avançando, somos nós que passamos a utilizá-las. Isto tudo a propósito de um e-mail que recebi há pouco tempo e que comparava os hábitos das crianças dos anos 70-80, com as da actualidade. Para mim, que já passei dos quarenta, tudo aquilo me fez sentido e detive-me a pensar nas diferenças abissais entre o antes e o agora. De facto, eu ainda sou do tempo em que não haviam telemóveis. Quanto muito íamos para a escola com o porta-moedas apetrechado com algumas moedinhas. Mais tarde surgiram os cartões que se carregavam, para podermos telefonar aos pais de uma cabine telefónica, sempre muito danificada, que existia nas redondezas do liceu. Os pais sabiam onde estávamos e nem por isso andavam muito angustiados por não conseguirem contactar connosco a toda a hora. Computadores? Não, não existiam. Os trabalhos escolares eram feitos com a velhinha máquina de escrever. Embora existissem umas mais sofisticadas, que podiam corrigir (tinham acoplado uma fitinha que largava uma tinta branca, em tudo semelhante às hoje vulgares canetas correctoras), a minha era das mais básicas. E servia muito bem. Brincava-se na rua e havia tempo para tudo. Para esfolar os joelhos a subir ás árvores, jogar às escondidas, saltar à corda…fazíamos uma breve visita a casa quando o estômago começava a dar horas. Esperava-nos um chocolate quentinho ou um bolo caseiro, que devorávamos à pressa pois os amigos reclamavam a nossa presença no jogo do lenço. Playstation? Se nos dissessem que tal máquina iria aparecer, certamente riríamos á gargalhada, já que ninguém aderia de bom grado a actividades onde a passividade é uma condição. Os trabalhos de casa eram feitos na mesa da cozinha, enquanto a nossa mãe preparava o jantar. Por vezes o caderno sujava-se, e dava um trabalhão voltar a pô-lo apresentável. Canetas coloridas e cheirosas vinham de Espanha, assim como as borrachas que nos enchiam de orgulho mostrar aos colegas. Não havia pressões para termos sucesso, entrar na universidade, ou sermos doutores. O tempo corria sem pressas. Cada coisa no seu lugar. Eu sei… estão a pensar que esta semana estou nostálgica, talvez seja verdade mas, ao olhar para as crianças de hoje, não posso deixar de pensar que, apesar de toda a tecnologia que têm ao seu dispor, nós, os “de outro tempo”, tivemos infâncias bem mais felizes e descontraídas!

 

Artigo publicado na revista FLASH! em Abril de 2007

 

Ps: Ah… é verdade, não posso deixar de vos agradecer as 18 000 visitinhas ! OBRIGADA !

FUI AO CONCERTO DOS GOTAN PROJECT

 

Não é um grupo muito conhecido, nem sequer podemos falar de um tipo de música comercial mas, apesar disso, foram muitos os que se deslocaram ao CoolJazz Festival só para os ouvir. E valeu MUITO a pena!

Gotan é um anagrama para tango , ritmo primordial da música que é trabalhada magistralmente  pelo músico argentino Eduardo Makaroff, acordeonista, e pelos seus dois colegas DJs Philippe Cohen-Solal (francês) e Christoph H. Müller (suíço). Embora o grupo seja apenas de três elementos, nos espectáculos fazem-se acompanhar de três violinistas, uma violoncelista, e uma vocalista. No site oficial da banda é contada a história da parceria dos DJs, que antes dos Gotan Project, formavam os “ The Boyz from Brazil” (devido ao fascínio de Cohen-Solal e Müller pela música latino-americana).  Quando conheceram Makaroff que, ainda segundo o site, "foi amamentado no tango", decidiram juntar os três talentos e elaborar uma síntese inédita entre o ritmo argentino e a música electrónica.

Ontem o espectáculo teve lugar no ambiente calmo dos jardins do Marquês de Pombal, em Oeiras. Ao fundo do palco, um enorme ecrã mostrava vídeos de dançarinos de tango, imagens de paisagens argentinas como o rio da Prata ou a animação da noite de Buenos Aires. A plateia esteve ao rubro e aplaudiu de pé temas tão diversos como Billie Jean de Michael Jackson, Abba, Grace Jones.

Foi uma noite absolutamente fantástica!

 




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