NÃO GOSTO DE TI… MAS NEM PENSES EM INTERESSAR-TE POR OUTRO!

 

 

A paixão é muito semelhante a um embriagamento, ou seja, durante algum tempo há a tendência para viver sob o efeito das emoções. Tudo se assemelha a um estado de insanidade mental temporária, já que existe uma má percepção da realidade e tudo é interpretado à luz do desejo de ser correspondido. Parece que voltamos a ser adolescentes e tendemos a ver coisas que não estão, nem nunca estiveram lá!  Um pequeno gesto de delicadeza assume enormes proporções e uma das confusões mais comuns, tem a ver com o binómio afecto/sentimento de posse. Existem pessoas que, apesar de não estarem absolutamente nada interessadas noutras, desejam mantê-las por perto porque isso lhes alimenta o ego. Este comportamento é comum nos dois sexos e é bastante notório quando uma outra pessoa entra em campo. Ou seja, se uma mulher se começar a distanciar e a procurar outros focos de atenção, imediatamente existe uma reacção por parte do antigo objecto de paixão. Mas, não hajam ilusões... esta reacção tem muito pouco ou nada a ver com afecto, ao invés disso é o narcisismo que fica colocado em causa, despoletando o sentimento de posse. De certo modo é como o outro pensasse algo do tipo “Como é possível que ela deixe de gostar de mim ?” , “Em que é que eu falhei para agora me tornar desinteressante aos olhos dela ?” pois é... mas como o povo costuma dizer “não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe!”. Com as paixões passa-se exactamente o mesmo. Com o tempo, desaparece o sentimento de indisponibilidade interna e dá-se uma abertura para o exterior. Como a ilusão tem um prazo de validade, quando acaba permite que a realidade ocupe o seu lugar. Chega o momento em que é possível ver as coisas claramente e não nos deixamos mais envolver por sentimentos aparentes e vazios de conteúdo, que apenas têm como objectivo preservar o ego do outro. É tempo de partir para novas aventuras, mais gratificantes e em que exista reciprocidade dos sentimentos. Nesta fase de distanciamento, por vezes conseguimos ver (antes apenas as contemplávamos sem nunca, de facto, as tivéssemos visto) pessoas que não nos chamaram à atenção, apesar de terem estado sempre ali. Geram-se então cumplicidades nunca antes sonhadas e a felicidade surge inesperadamente. Nesse momento há que ter presente que a direcção do caminho a percorrer é sempre em frente, sem cair na tentação de olhar para trás, já que o passado representa (para além da perda de tempo), sofrimento e tristeza.

 

Texto publicado na revista Flash! em Fevereiro de 2006

 

 

Esta foi a última semana que colaborei com a Flash! Não vos posso negar que estou um pouco triste, até porque estive no projecto desde o início. Foram muitas semanas, meses, anos… ao todo 213 crónicas e um pouco mais que três anos. Mas a vida de uma revista tem destas coisas e em tempo de crise há que cortar despesas. Entendo-o perfeitamente. Outros projectos virão e eu vou sempre colocar-vos a par deles. Continuarei a escrever para a revista Certa, jornal Abarca e outras publicações com quem colaboro com alguma regularidade (Focus, Visão, Activa, Crescer…).

Entretanto vamo-nos encontrando por aqui !




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