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O SENTIDO DA VIDA

 

                   

 

A necessidade de compreender o sentido da nossa existência, é uma questão universal.

A este propósito, Freud afirmava que se sujeitássemos o ser humano a uma situação de privação extrema, ele perderia a sua casca espiritual e colocaria a nu a sua verdadeira natureza, comportando-se como um animal.

Victor Frankl, psiquiatra seu conterrâneo, discordava desta teoria e não teve de esperar muito para confirmar que estava certo. No campo de concentração de Theresienstadt, durante a II Guerra Mundial, observou que homens e mulheres habitualmente resignados ou egoístas, mostravam-se capazes de actos de generosidade e de altruísmo, sem que os movesse qualquer outra motivação para além da convicção de agirem correctamente. Parece então que o egoísmo é uma capa socialmente construída e que a verdadeira essência humana está ancorada na busca de um sentido para a vida isto é, o Homem consegue enfrentar tudo, excepto a falta de sentido. Frankl afirmou um dia que “se tivermos um porquê, então poderemos suportar todos os comos “. Podemos encontrar motivações externas, que assumem a forma de objectivos frequentemente materiais. Gostaríamos de viajar ou de comprar “aquela” casa frente ao mar, o carro topo de gama, o relógio de platina... mas esgotada a lista surge novamente o vazio, uma vez que o preenchimento de espaços interiores é muito mais dificil de alcançar.

Indagar sobre o sentido da vida, perceber o que nos leva todos os dias a sair de casa, trabalhar, estudar,... significa envolvermo-nos numa busca da qual só estamos certos daquilo que procuramos no momento em que o encontramos. Esta busca gera crise, que por sua vez se traduz num doloroso conflito interno. No entanto, este é o sinuoso caminho que conduz à transformação pessoal. Por meio, haverá necessidade de revermos crenças e modos de vida. Muitas vezes seremos levados a equacionar se vale a pena mantermos determinadas amizades, se deveríamos mudar de emprego, de casa ... de vida! Tudo é colocado em causa. Separa-se o trigo do joio, clarificam-se valores, traçam-se objectivos. Estimula-se a criatividade, abrem-se  novos caminhos para nos aperfeiçoarmos como seres humanos. Aliás, a História está repleta de grandes homens que transformaram o sofrimento em força. Que o diga Christopher Reeve que, ao ficar paraplégico, lutou até ao fim por uma vida digna e produtiva,  ou  Beethoven, que já numa fase em que a surdez era total, conseguiu compor a nona sinfonia (só para citar alguns exemplos). A busca de um sentido para a vida pode ser dolorosa, mas é um desafio que nos fará mais felizes e, certamente, mais competentes para viver.

 

Texto publicado na revista FLASH!  em Agosto de 2006




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