O CIRCO MADELEINE

A menina inglesa desaparecida no Algarve tem concentrado à sua volta um verdadeiro circo. Já se disse de tudo um pouco, e agora em que ponto estamos ?
Os jornalistas, ávidos de novidades, já se entrevistam uns aos outros e citam-se mutuamente. Uma vergonha !
Para além disso, tenho assistido, com alguma perplexidade, a algumas afirmações/interpretações de colegas meus. Há dias, na revista VIP, um colega que se auto-intitula psicólogo forense
e que agora passa a vida nos telejornais (até foi meu colega de curso, portanto conheço-o bastante bem... adiante ...) afirmava que a mãe tinha “rituais esquisitos” porque usava fitinhas amarelas e verdes nos cabelos. O que tem isso de esquisito ??? Toda a vida vi pessoas socorrerem-se de amuletos (lembram-se das fitinhas do Senhor do Bonfim da Bahia ou mesmo as Santinhas que guardamos na carteira) porque lhes conferem alguma paz de espírito. Estranho ? Nada disso.
Também ouvi afirmar coisas terríveis acerca da postura da mãe, chamando-lhe fria ou desprovida de qualquer emoção. Discordo em absoluto. Não sei se a mãe é culpada. Isso cabe aos tribunais decidirem sobre a sua inocência ou culpabilidade, mas não se deveriam tirar conclusões tão levianamente. Lembremo-nos todos que a mãe de Madeleine é britânica, o que por si só implica uma cultura muito diferente da dos latinos, diferenças estas que se repercutem em termos da manifestação das emoções. Para além disso, “o verdadeiro deprimido não chora”, ou seja, a senhora pode sentir-se tão absolutamente em baixo, deprimida, assustada, que nem energias tem para chorar. Talvez o faça no recolhimento do seu quarto. Nunca o saberemos.
O diário. Outra barbaridade. Era lindo se pudéssemos ser condenados pelos pensamentos ou desabafos !!! Ela escreve que os filhos pequeninos são impossíveis de aturar (ou histéricos). Talvez o sejam. Não passa de um desabafo, nem implica que ela seja uma psicopata. Já é altura de colocarmos os pés no chão e deixarmo-nos de devaneios. Uma perícia psicológica não se faz com base num diário, mas sim com testes específicos para o efeito e aplicados ao próprio. Porque não fazem uma avaliação psicológica à mãe e ao pai, ao invés de se andarem a "traçar perfis" com base em coisa nenhuma ?!?
Certo é que a história está realmente mal contada. Possivelmente até terão sido eles (ou a mãe) a matar a criança com a cumplicidade de alguém, mas não acredito que tenha sido intencional. Só espero que um dia todos possamos chegar a saber o que realmente se passou. Uma coisa é certa, o caso Madeleine tem de constituir um ponto de viragem a nossa PJ. Quando tudo estiver esclarecido, há que parar e pensar nas mudanças institucionais que há a fazer, para que nada disto se repita.
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