Um homem do outro mundo

 

  

 

Já aqui disse uma vez que nunca tive ídolos. Nunca fui (mesmo durante a adolescência), de forrar paredes com posters de actores, ou suspirar por cantores ou jogadores de futebol. Contudo, se existe uma figura que me inspira carinho e respeito é o Dalai Lama. Olho para aquela figurinha, sempre sorridente, e percebo nele uma capacidade única de empatia . Ainda há pouco via na televisão, um excerto do discurso que proferiu aquando da sua visita a Portugal. Tudo aquilo me fazia um enorme sentido.

Para quê guerras entre religiões ? De que serve cada um querer chamar a si a razão ? O objectivo, de facto é só um e o caminho para lá chegar é que difere de pessoa para pessoa. Dalai Lama fez a analogia com os medicamentos versus doenças. Se o objectivo é exterminar a doença, mas cada um tem a liberdade de escolher o medicamento que menos efeitos secundários lhe provoca, ou seja, o que é mais eficaz. Fantástica lição de Humanismo a deste Homem. Tudo nele emana PAZ. Certamente estaremos perante alguém que atingiu um outro patamar de elevação espiritual. Aliás, a sua história é o espelho disso mesmo.

 

Sua Santidade, nasceu a 6 Julho de 1935, na cidade tibetana de Takster no seio de uma família de camponeses. O seu nome verdadeiro é Lhamo Dhondrub. Com apenas dois anos, foi reconhecido como a 14ª reencarnação do Dalai Lama (baseada nas profecias) e levado para Lhassa.  Aos quatro anos e meio foi-lhe dado o nome de Tenzin Gyatso. A sua educação como Dalai Lama começou quando tinha seis anos de idade, e incluiu domínios diversos como a dialéctica, a arte e cultura tibetana, a gramática e a linguística, a medicina e também a filosofia budista – a mais importante destas áreas. Em 1950, as tropas chinesas invadem o Tibete. Um anos depois, quando o Dalai Lama contava 16 anos de idade e a situação no Tibete se tornava cada vez mais assustadora, teve de assumir a mais alta responsabilidade política no seu país. Desde 1960 que vive  em Dharamsala, no Norte da Índia, local onde o Governo Tibetano no exílio tem a sua residência oficial. Em 1963, apresentou um projecto de constituição para um futuro Tibete livre. Desde então, o Dalai Lama tem sido um fervoroso defensor da democratização da sociedade tibetana. Para além dos seus esforços em prol da comunidade tibetana no exílio, tem pugnado de forma incansável por uma solução não violenta do problema tibetano. Em 1989, o líder tibetano foi laureado com o Prémio Nobel da paz pelos esforços dedicados à procura de uma solução não violenta para o problema do Tibete. A declaração do Comité Nobel afirmou:

 

"O Dalai Lama baseia o desenvolvimento da sua filosofia da Paz num grande respeito por todos os seres sensíveis e na ideia de responsabilidade universal que abarca não só a humanidade, como um todo, mas também a natureza."

SINDROME DE SININHO

 

 

 

Peter Pan é um menino que mora na Terra do Nunca, um lugar que ele imaginou para fugir à monotonia e, sobretudo, para evitar assumir as responsabilidades próprias do crescimento. Peter Pan anda sempre rodeado de amigos, entre os quais se destaca a fada Sininho, uma elegante figurinha que lhe cabe na palma da mão. A fada está por detrás da materialização dos seus sonhos, porque o brilho que emana (pó de perlimpimpim) tem efeitos mágicos.                                 

                                         

Histórias à parte, o que resiste ao mito, é que ele simboliza o medo que alguns homens têm de se transformarem em adultos. Tudo se passa como se a idade adulta não os seduzisse, ou trouxesse consigo um sentimento de abandono e desolação. De facto, as crianças têm um encanto que nos enternece. Olhar-lhes nos olhos é estar frente-a-frente com a inocência em estado puro. Mas, à medida que vamos avançando na estrada da vida, vamos perdendo umas coisas e ganhando outras. Peter Pan decidiu parar no tempo e recusa-se a avançar. A diminuta fadinha, eterna (e ciumenta) companheira, protege-o e alimenta-lhe a fantasia, desejando apenas agradar-lhe. Sininho faz tudo por Peter mas, ao contrário do que possamos pensar, dependem afectivamente um do outro, já que Peter Pan não sobreviveria sem Sininho e vice-versa. Nenhum deles se apercebe disso, ou melhor, a fadinha vive centrada no rapaz, mas o contrário parece não suceder. No entanto, se estivermos atentos, ao longo do filme surgem diversas situações em que é ele que a protege e acarinha. Também na vida real, algumas mulheres sofrem de “síndrome de sininho”, ou seja, gostam de assumir o papel de protectoras e fontes permanentes de carinho e atenção. Não são ostensivas nem perturbadoras, pois a sua presença é quase invisível. Apesar de estarem sempre lá, apenas aparecem nos momentos críticos. Mas o que faz com que este tipo de relação se estabeleça? Trata-se, acima de tudo, da união de duas fragilidades. Por um lado temos um homem carente e a necessitar de colo, por outro, temos uma mulher que, por ser também carente, gosta de lhe proporcionar um ambiente acolhedor. A maior parte das vezes tudo se passa no plano do implícito, isto é, nenhum dos intervenientes se apercebe que se estabeleceu este tipo de relação, o que faz com que se mantenha anos a fio, até que um deles decida quebrar o elo, ou apenas modificar o tipo de relação. Certo é que todos gostaríamos de nos sentir amados incondicionalmente, mesmo que por um pequenino ser que coubesse na palma da nossa mão. Confortava-nos a alma, saber que ele estava sempre ali, que o seu brilho nos iluminaria mesmo nos dias mais escuros …

 

Texto publicado na revista FLASH! em Agosto de 2006




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