UM FALSO BRINQUEDO

 

A TMN lançou na passada segunda-feira o Mo1, um telefone desenhado especificamente para crianças com mais de seis anos. Em parceria com a marca Imaginarium, o modelo tem apenas sete teclas e as funções necessárias para os utilizadores mais jovens. Em termos de segurança, as chamadas do Mo1 são limitadas pelos contactos que os pais memorizarem na agenda, bem como com as mensagens recebidas. O modelo, que passa a ser distribuído em Portugal depois de ter sido comercializado em Espanha, está associado a um tarifário TMN que não exige carregamentos obrigatórios e ganha bónus pelas chamadas que recebe independentemente de ter ou não saldo disponível, a criança pode estar sempre contactável, esclarece o operador em comunicado. O aparelho vai ser comercializado nas lojas Imaginarium e nos pontos de venda TMN a um preço de 69,90 euros.

(in Diário de Noticias, 28 de Novembro)

Fui hoje ao programa Reclame* (uma parceria da RTP2 com a DECO), para comentar o lançamento em Portugal do Mo1. Desde logo o primeiro absurdo reside na faixa etária a que se destina. Alguém me consegue explicar para que é que uma criança com seis anos necessita de um telemóvel ? Crianças com 6 anos (até aos 9, mais ou menos) estão no 1º ciclo, o que implica permanecerem grande parte do seu tempo numa sala de aula com uma única professora, portanto se houver necessidade de contactar os pais, a própria escola o fará. No intervalo das aulas também não estou a ver que a criança vá para o recreio de telemóvel na mão… o segundo absurdo é a associação imediata que o consumidor faz a um brinquedo (até porque é comecercializado pela Imaginarium) e o Mo1 não é um brinquedo…é um telemóvel!!! Um telemóvel que emite radiações electromagnéticas que podem ser bastante nocivas para uma criança, já que a caixa craneana é muito menos espessa que a dos adultos. Esta vulnerabilidade é um potencial factor de risco para o surgimento de tumores no ouvido e até leucemias. Aliás, há cerca de 2 anos na Grã-Bretanha, lançaram algo do género – o MyMo. Certo é que a Comissão Radiológica do Reino Unido alertou para os perigos que o telemóvel infantil poderia acarretar para a saúde e de imediato o produto foi retirado do mercado. A Direcção Geral de Saúde também já apelou ao bom senso dos pais para que não comprem telemóveis a crianças com menos de 8 anos. Mas os petizes fazem birras e os pais encolhem os ombros e, ao invés de dizerem um rotundo “Não!”, optam por desembolsar 70 euros e deitar para trás das costas todos os avisos da comunidade cientifica . É lamentável !

* … O programa vai para o ar no dia 14 de Dezembro, às 19 horas (RTP2)