BULLYING

 

 

                       

 

 

 

Volta a meia, a notícia de abertura dos telejornais é a de um jovem que decide munir-se de uma arma e disparar sobre colegas e professores. Felizmente estes casos só têm acontecido nos EUA, mas não é de espantar que um dia nos batam à porta. Para quê e porquê esta violência gratuita? (Pensamos nós).

Quando vamos explorar um pouco da vida do agressor, vemos que no passado também ele foi vítima de agressões, ou seja, em regra os jovens que actuam deste modo foram alvo de bullying. É sabido que as crianças e os jovens podem ser bastante cruéis uns para os outros. Todos os dias há alunos intimidados, assediados e agredidos pelos outros. Lembro-me de há bem pouco tempo, uma notícia dar conta que um menino com doença oncológica era alvo de gozo por parte dos colegas, a ponto de ter de ser retirado da escola. Jovens com handicaps físicos, ou qualquer característica que os distinga (basta usarem óculos) podem, devido à sua fragilidade, transformar-se em vítimas. Certo é que os maus-tratos, as humilhações sucessivas, a exclusão social, vão deixando marcas profundas ao nível da Auto-estima. Não será fácil crescer saudavelmente, quando o olhamos para os lados e todo o ambiente nos é adverso. Alguns vergam-se perante esta “triste sina” e passam o resto da vida de olhos no chão, como se pedissem constantemente desculpas ao mundo por existirem. Outros porém, deixam que a mágoa se instale e que vá aumentando com os anos, transformando-se em ódio. Ódio contra o local (a escola), os professores, os colegas. O objectivo de suas vidas passa a ver a vingança, uma espécie de “lavagem de alma”, algo que lhes pode devolver alguma dignidade, mesmo que seja durante uns escassos minutos (por isso muitos se suicidam de seguida).

 

 

É sabido que emoções extremas como o ódio, estimulam a criatividade, portanto não existem grandes dificuldades no arquitectar de um plano e colocá-lo em prática. Depois do alvoroço, descobre-se que o agressor era, afinal de contas “aquele miúdo… o lingrinhas, o caixa de óculos… o gordo”… sim, aquele que todos gozavam. Tudo isto para vos dizer que o bullying é um fenómeno grave e que não deve ser ignorado. O professor, o encarregado de educação, o psicólogo ou mesmo o auxiliar de educação, têm obrigação de estarem atentos a fenómenos deste tipo, de forma a poderem cortar o mal pela raiz, evitando que se perpetue e resulte em autênticos massacres!

 

Texto publicado na revista FLASH! em Junho de 2007