VEM AÍ UM NOVO ANO !

Confesso que não gosto nada de festas de passagem de ano. Aborrece-me pensar que somos quase pressionados a divertir-nos em horas e datas que o calendário nos impõe, mas há pessoas que parecem viver para estas alturas. Gastam uma fortuna numa roupa cintilante que vão usar apenas umas horas, e num jantar em que na maior parte das vezes vão ser obrigados a conviver com pessoas completamente desconhecidas. Para além disso, esta é a noite de todos os excessos. O álcool é rei e existem alguns que usam e abusam quando sabem que têm de ir para casa, muitas vezes a conduzir. Temos depois o cenário de inúmeros acidentes rodoviários em que muitas vidas são ceifadas e outras ficam reduzidas ou a uma cama de hospital ou a uma cadeira de rodas, apenas porque temos de comemorar, com muito álcool, a passagem de mais uma folhinha do calendário. Enfim, nada disto me faz sentido.
Ainda assim, sinto que nesta época se fecha um ciclo e isso é importante. O sentimento de que tudo tem um princípio, um meio e um fim, estrutura-nos e equilibra-nos. É um momento, ao mesmo tempo de balanço e de esperança. Importa pensar no que aconteceu de positivo e de negativo no ano de 2007, para que possamos efectuar alguns ajustes para o ano que se inicia. Algumas questões se colocam:
Fomentámos as amizades?
Estreitámos laços com a família?
Procurámos encontrar saídas para a nossa vida, quer em termos afectivos, quer profissionais?
Todas estas questões nos podem colocar a pensar e, sobretudo, servir de motor para a mudança. É sempre tempo de mudar desde que haja energia e a coragem para isso. Mantermo-nos infelizes por puro comodismo não conduz a lado nenhum e tenho a convicção de que há sempre alternativas para tudo. Por vezes o caminho pode ser mais longo e sinuoso, mas o certo é que ter a sensação de lutar por algo é extremamente importante em termos de autoestima. Por exemplo, quantas pessoas se mantêm casadas por comodismo? A maior parte receia perder estatuto, outros referem que não conseguiriam sobreviver economicamente sozinhos (?). Na verdade, arrastam-se décadas nesta situação de infelicidade, sem perceberem que perdem a oportunidade de voltarem a ser felizes com outro alguém, apenas porque não aguentam passar a viver com menos dinheiro ou numa casa menos confortável. Outros preferem estar constantemente de baixa psiquiátrica, ao invés de procurar um emprego onde se sintam melhor. No fundo, pensando bem, o que me ocorre é que estas pessoas ou não se sentem suficientemente mal a ponto de terem de mudar, ou então conseguem usufruir de algum benefício secundário desta situação. Mais que não seja, sentem a pena no olhar dos outros e isso reconforta-as. São opções de vida e contra isso não podemos fazer nada. Contudo, neste final de ano atrevo-me a lançar estas pistas que talvez coloquem alguém a pensar em arriscar a ser mais feliz no ano 2008. Porque não? São os desafios que nos mantêm vivos... Bom ano 2008!!!
Texto publicado em Janeiro de 2004 na revista FLASH! (adaptado)
Escrito por
Teresa Paula Marques
às
23h49

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