PERIGOS DAS NOVAS TECNOLOGIAS

 

       

 

A adolescência é, por excelência, a fase mais vulnerável do desenvolvimento humano. Se fizermos um esforço, certamente nos lembramos da ânsia que tínhamos no sentido de experimentarmos coisas novas, de acumularmos experiências que nos fizessem sentir um pouco mais próximos da idade adulta. Todos tivemos amigos que iniciaram consumos de substâncias desde o álcool até a drogas duras. Mas, se para uns não passou de uma experiência própria da adolescência, para outros foi o início de uma caminhada sem retorno. O mundo das drogas era, até há bem pouco tempo, o que mais assustava os pais. De repente eis que surgem as novas tecnologias e vemo-nos perante um mundo de perigos completamente diferente. É inegável o contributo positivo que a Internet nos trouxe.

Em tempo real podemos comunicar com alguém que vive do outro lado do globo, ou fazer pesquisas sobre um leque infindável de assuntos. No entanto, como tudo na vida, possui um lado extremamente negro e perigoso. Por exemplo, há pouco tempo, a revista Sábado mostrava-nos como é fácil apanhar um pedófilo através da Net. Os chats  constituem terreno fértil para que germine a patologia mental.  Pessoas que na “vida real” vivem isolados socialmente, podem encontrar interlocutores no mundo virtual, sobretudo adolescentes. Não haja dúvidas que qualquer adulto se consegue fazer passar por um jovem, conquistar a confiança de quem está do outro lado e aceder a informações como a morada ou o número de telemóvel. É igualmente fácil marcar um encontro , depois de alguns minutos a teclar.

Os adolescentes adoram aventuras e facilmente cedem ao impulso. Para além da Net, temos os telemóveis. Actualmente qualquer adolescente tem um telemóvel 3G, o que pressupõe a existência de uma câmara fotográfica e, também, da possibilidade de fazer chamadas com imagem. Juntemos a estas funções, a criatividade perversa de alguns adultos e a inocência de algumas jovens e temos a mistura ideal ! Um estudo muito recente, mostrava-nos que jovens se despem, ou simulam actos sexuais durante uma chamada telefónica estabelecida com alguém completamente desconhecido e para isso basta que lhes carreguem o telemóvel com … 10 euros! Estes estudos são de uma importância extrema para todos nós, educadores, pais e sociedade em geral. Alertam-nos para a necessidade de haver, cada vez mais, uma estreita colaboração entre a escola e a família. De nada vale optar pela punição. Ao invés disso, há que ouvi-los atentamente e depois explicar-lhes claramente quais os perigos que correm. Ontem como hoje, é melhor prevenir que remediar !

 

Texto publicado na revista FLASH! em Julho de 2007

DORMIR COM O INIMIGO

 

 

Todos os dias temos conhecimento de mais um caso de relacionamento destrutivo. Pessoas que, em nome daquilo que chamam amor, tudo suportam. Imaginam que poderiam estar a viver um conto de fadas e vão alimentando a esperança que um dia acabem por acordar do pesadelo. Em regra, só revelam o que se passa quando já estão no limite das suas forças. Nessa altura tomamos conhecimento de situações que vão muito para além da dicotomia sadismo/masoquismo e que entram, a meu ver, no campo da escravatura humana. Porém, quando se aborda este tema, invariavelmente cedemos à tentação de o fazer na perspectiva da vítima, apontando exclusivamente o dedo ao vilão. Posto isso, gostaria de discorrer sobre um aspecto sensível, difícil de entender, que é a cumplicidade do agredido com o agressor como factor de perpetuação deste tipo de situação. A postura da vítima, ou seja, a permanente condescendência face às atitudes do agressor, impedem-no de tomar consciência dos seus actos e servem de alimento para a próxima cena. Constatamos que nas histórias de crimes ditos passionais, o primeiro episódio de agressividade não constituiu surpresa pois, na sua maioria, as relações eram já pontuadas por alguns gestos de agressividade. Foi, então, o silêncio do agredido que acabou por ditar a sua própria sentença de morte. Silêncio que é muitas vezes atribuído a um misto de medo e de vergonha. Contudo, assumir publicamente que se é vítima de maus-tratos, pode constituir o primeiro passo para deixar de o ser. O que não se pode fazer é esconder ou, pior ainda, esquecer o sucedido em troca de um pedido de desculpas, ou da justificação em nome da qualidade/quantidade do afecto. Apesar de cruéis, as agressões físicas ainda são as mais fáceis de gerir. Tudo se complica quando falamos de outros tipos de agressão, por vezes tão subtis que, ao invés de matar com um tiro certeiro, têm o papel da tortura chinesa. Refiro-me a casos de controlo excessivo sobre o outro, necessidade de o dominar, de controlar desde o sono às refeições, chegando às relações pessoais com reivindicações de poder total sobre os seus pensamentos e sentimentos. Dessa forma é comum que haja, progressivamente, um afastamento de tudo o que é significativo e importante, gerando uma total dependência.  Encoberta sob o véu da normalidade (e até de um ‘grande amor’), este tipo de relação evolui para cenas de intimidação, mescladas de discursos de desvalorização. Destrói-se toda a possibilidade de ser inteira, independente e livre. Será que é esse o objectivo do amor? Afinal ao que se resume a vida, se não tivermos a liberdade de SER?

 

Texto publicado na revista FLASH! em Dezembro de 2005

 




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