DAR UM TEMPO

 

 

Durante um namoro, o convívio é quase diário, o que permite que exista um conhecimento progressivo das qualidades e dos defeitos. Certo é que, se muitas vezes o afecto vai aumentando e existe um estreitamento dos laços, outras porém, começa a acontecer o inverso. Aqueles pormenores que até achávamos piada no início da relação, começam por fim a incomodar. Começamos a perceber que não se trata de nada circunstancial mas sim estrutural e, perante essa constatação, que futuro poderá ter a relação? Será que conseguimos aguentar o convívio estreito com uma pessoa desorganizada? Os amigos dele poderão algum dia fazer parte do nosso núcleo? E como aceitar aquela família cujos hábitos diferem tanto dos nossos?

A dúvida surge e instala-se.

Aos poucos aquela sensação de aperto no peito passa a ser sufocante, e a única solução é pedir um tempo. Tempo para pensar, para estar só, para arrumar as coisas internamente e perceber se realmente vale a pena continuar. 

Claro que a reacção do outro lado nem sempre é a mais agradável. Ninguém gosta que lhe peçam “um tempo” pois, de algum modo, é sintoma que as coisas vão mal e não se sabe qual será veredicto final. De algum modo, “dar um tempo” é fazer um intervalo na relação, intervalo esse que pode servir para colocar a cabeça (e o coração) no lugar certo e sentir se vale a pena, ou não, continuar. Existe, porém, o perigo de a mágoa se instalar e, no momento em que se resolve retomar a relação, o outro já não se mostrar disponível. Esta reacção é mais comum, quando o tempo é aproveitado para saídas à noite, festas… dando a entender que o que se pretende mesmo é recuperar a liberdade, de forma a possibilitar o conhecimento de outras pessoas, possivelmente mais interessantes. Assim sendo, é perfeitamente normal, que o regresso não seja bem acolhido.

Existem também casais que estão constantemente a dar um tempo e até parece que tudo se inverteu, ou seja, estão juntos nos intervalos da relação. Depois, há aqueles que em alturas-chave, por exemplo, nas passagens de ano e nas férias do verão, decidem terminar o namoro. Ou seja, dá-lhes “muito jeito” dar um tempo nestas alturas, porque significa que podem circular livremente pelas festas, sem que nada possa ser apontado. No final, retomam o namoro e tudo volta a ser como antes, pois o objectivo da interrupção não era fazerem um balanço, nem mudar absolutamente nada. Resta dizer que estes sucessivos cortes na relação, acabam por deixar marcas, que podem levar há ruptura, como tal à que ponderar se vale ou não a pena “dar um tempo” ou se é melhor combinar um jantar romântico e, olhos-nos-olhos, discutir de uma forma construtiva, o que há a mudar na relação.

 

Texto publicado na revista FLASH! em Agosto de 2006

 

 

 




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