A LEI DE MURPHY

 

 

 

 

Já lhe aconteceu passar por fases em que tudo corre mal? O dia seguinte parece ser sempre pior que o anterior… quando leva o guarda-chuva, o sol apresenta-se radioso, mas basta que um dia se esqueça e volta para casa completamente encharcada. No supermercado, a sua fila é sempre a mais lenta… a torrada quando cai fica sempre com o lado da manteiga virado para baixo... Enfim, o povo costuma dizer que “um azar nunca vem só” e, de facto, parece que esta é uma ideia irrefutável. O azar gosta pouco da solidão e então decide que o melhor é encontrar muitas companhias, e quantas mais, melhor!

Segundo alguns, a constante má sorte age sob a Lei de Murphy, um personagem que ninguém sabe muito bem quem foi, mas que nos explica que as coincidências não existem. Então tudo tem uma razão para acontecer e, para além do mais, a dita lei advoga que “quando algo dá errado é sempre da pior maneira, no pior momento e causará o maior dano possível”. Esta visão acerca da vida, negativa para uns, realista para outros, é muito aproveitada pelos cartoonistas, o que faz com que algumas personagens de cartoons se transformem nas principais vitimas desta Lei. Para estes, por mais tentativas que hajam, as coisas vão sempre dar para o torto. Por exemplo, todos certamente conhecem o patriarca da série Simpsons -Homer Simpson, e estarão de acordo que é o retrato de um falhado. Qualquer função, projecto, ou plano, sai sempre errado. Para além do aspecto profissional, Homer é também um azarado na família, além de ter uma imagens física deplorável: é careca, barrigudo, passa o tempo sentado no sofá a ver televisão, beber cerveja e a comer chocolates. Outra personagem azarada é o Cebolinha. Um menino que se julga esperto e que se junta ao Cascão para derrotar Mónica, a dona da rua. Contudo, os infalíveis planos do Cebolinha acabam sempre por se voltar contra ele e, para além de não conseguir derrotar a inimiga, ainda acaba por levar umas valentes coelhadas! Azares à parte, a ideia que me parece importante explorar é que todos nós passamos por períodos “menos felizes”, “tristonhos” ou em que tudo parece ser gerido segundo a lei de Murphy. Ainda assim, não podemos largar as rédeas da nossa vida e deixarmo-nos simplesmente arrastar por ela. Há que conseguir quebrar o ciclo, de forma a ser possível passar para outra fase, mais feliz e realizada. É fundamental deixarmo-nos de atitudes fatalistas, apesar de este ser um traço muito comum na personalidade dos portugueses. Acreditar que somos os protagonistas da nossa vida implica sentirmos que capazes de a mudar, e esta certeza é meio caminho andado para que o consigamos fazer. A Lei de Murphy pode até ser uma realidade que nos atinge num momento de crise, mas estas fases mais negras, constituem momentos de reflexão e, também, de decisão. Importa não nos derrotarmos por elas e aproveitarmos o momento para algumas reformulações na nossa maneira de viver e encarar a vida, mantendo sempre a esperança e agarrando-nos à velha máxima de que “depois da tempestade vem a bonança”. Só assim os azares podem ser ultrapassados, e os obstáculos contornados, de uma forma eficaz e positiva.

 

texto publicado na revista FLASH! em Setembro de 2005




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