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UM FILME VIOLENTO, MAS REAL

 

 

Gostaria de partilhar algumas ideias acerca de um documentário e, posteriormente, de um filme que fui ver. Falo do documentário “Autocarro 174” e de “Tropa de Elite”, ambos realizados pelo José Padilha. Este último recebeu o Urso de Ouro no festival de Cinema de Berlim.

“Tropa de Elite” aborda a questão do ponto de vista dos polícias, mais especificamente, do BOPE, o Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro, visto como incorruptível e violento. O BOPE ficou conhecido exactamente devido à operação em torno do autocarro 174. Em "Tropa de Elite" há uma acusação explícita à classe média, principalmente os jovens, mostrando que também eles financiam o tráfico. Neste enorme polvo de corrupção, são poucos os inocentes. Tudo roda em torno do dinheiro, vindo ele do jogo do bicho, das multas de mau estacionamento ou da protecção de prostitutas.  “Quem tem ética passa fome”, ou descompensa psicologicamente como vemos acontecer ao protagonista do filme. A figura do capitão Nascimento é o que apresenta a própria contradição da polícia, ou seja, a de um homem honesto numa situação de guerra de todos contra todos. Por mais odiosa que seja a tortura, o abuso de poder ou mesmo a violência ilegal contra bandidos, a polícia, segue a lógica do crime que combate: os bandidos também são violentos, arbitrários, tirânicos, frios e torturadores

Há um outro aspecto do filme que é a sátira dos movimentos sociais e Ong´s que divinizam os criminosos. A aula de Michel Foucault, em que uma classe universitária (também ela dedicada ao tráfico) encontra razões para criminalizar a acção da polícia ao combater o crime, é uma paródia da cumplicidade que tal sector possui para com a marginalidade …

A não perder !