SIC MULHER

 

Segunda-feira, dia 12, pelas 18:50 hs, estarei em directo no programa "Mundo das mulheres", na SIC Mulher, a falar sobre gaguez na infância.... Piscadela

           

vejam o link do programa em http://sic.aeiou.pt/online/entretenimento/mundodasmulheres

 
 

OBEDIÊNCIA CEGA

 

Stanley Milgram, psicólogo norte-americano,  foi o responsável pelo célebre estudo sobre a obediência à autoridade - (também conhecido pela Experiência de Milgram)

O objectivo do estudo era a observação das reacções individuais face a indicações concretas de outros. A obediência era operacionalizada através das acções que implicavam actos que implicavam o sofrimento de outros.

 - Os voluntários participavam na experiência, sem saber que seria avaliado na sua capacidade de obedecer a ordens.

 - Cada voluntário era colocado perante uma falsa máquina de infligir choques eléctricos

- A máquina estava ligada através de eléctrodos, ao corpo de um homem mais velho e afável, que supostamente estaria a ser submetido a uma entrevista numa sala ao lado.

 - O voluntário podia ver o homem mais velho, mas não era visto por ele

 -  O investigador dizia ao voluntário, que a sua tarefa consistia em accionar a máquina de choques todas as vezes que a pessoa errava uma resposta. A intensidade dos choques aumentava supostamente 15 Watts por cada erro cometido, desde 15 (marcado na máquina como "choque ligeiro") até 450 Watts (marcado na máquina como "perigo: choque severo", podendo este conduzir à morte);

 - O "entrevistado" tratava-se na realidade de um actor que, discretamente, recebia indicações para simular dor, cada vez que levasse um choque.

 -  À medida que aumentava intensidade dos choques queixava-se cada vez mais, gritava e implorava que o deixassem ir, até que por fim se recusava a responder;

- O investigador dizia de modo severo ao voluntário."Você não tem alternativas, tem que continuar!"

Certo é que, mesmo vendo o sofrimento e acreditando ser real, a maior parte dos voluntários continuava a obedecer às ordens de Milgram e infligia choques cada vez maiores. Todos sabiam que a intensidade máxima, (450 watts), significaria hipoteticamente causar a morte à outra pessoa... mas 65% dos voluntários obedeceram às ordens até o fim e deram o choque, supostamente fatal !

Esta experiência explica, por exemplo, como Hitler conseguiu reunir tantos seguidores e os levou a cometer tamanhas atrocidades. É que, "livre da responsabilidade e da culpa, emerge o lado mais obscuro da natureza Humana!"

 

nota: no filme do Youtube é apresentada uma outra versão da experiência de Milgram, mas a original é a que vos descrevo Piscadela

 DESENCONTROS

 

Dou por mim a pensar, o que nos faz criar inimizades ao longo da vida. Laços aparentemente fortes que  facilmente se desfazem, talvez porque os quisémos sentir apertados, mas tudo não passava de uma ilusão... a esse propósito, um destes dias li este pensamento do filósofo Voltaire e fez-me imenso sentido. Será que a grandeza de um Homem não se mede, também, pelos inimigos que tem ? As pessoas "cinzentas", que não verbalizam opiniões algumas, que estão sempre a favor de tudo, serão essas que deixam uma marca para além da vida ? ......

Deixo-vos com Voltaire ...

    " É triste não ter amigos? 

     Ainda mais triste é não ter inimigos!   

     Porque, quem não tem inimigos,  é sinal que não tem: 

     Nem talento que faça sombra,  

     Nem carácter que impressione, 

     Nem coragem para que o temam,  

     Nem honra contra a qual murmurem,  

     Nem bens que lhe cobicem,  

     Nem coisa alguma que lhe invejem..." 

 
 

A cobiça

 

Considerada um dos sete pecados capitais, é também classificada pela igreja como não perdoável a menos que o pecador se arrependa e se submeta às sanções impostas pelo padre na altura da confissão. Trata-se de um acto retentivo, avaro, cujo motor é o desejo permanente de possuir riqueza material. Quando nos dispomos a imaginar uma pessoa com este tipo de comportamento, associamos-lhe um corpo franzino, costas curvadas, olhar turvo, roupas gastas pelo tempo... alguém em tudo semelhante ao avarento Scrooge do conto de  Charles Dickens. No entanto, a cobiça não pode ser dissociada da avareza. Vivem de mãos dadas e são de alguma forma complementares. O avarento deseja possuir coisas, amealhar coisas, amontoar coisas ... nada parece saciá-lo. As pessoas são-lhe completamente secundárias, pois o afecto não é tido em consideração. Para além disso, vive constantemente em estado de alerta pois desconfia de tudo e de todos. Esta atitude leva-o ao isolamento social. Não convive com ninguém, torna-se uma pessoa desagradável e com escassa capacidade de empatia. O ponto de vista dos outros não é tido em consideração, simplesmente porque imagina que apenas os move o desejo secreto de lhe roubar os bens amealhados. A este propóstito socorro-me de um conto do psiquiatra argentino Jorge Bucay que ilustra de uma forma magistral tudo aquilo que já descrevi. A história é mais ou menos assim...

 " Ao cavar para erguer uma cerca que separasse o meu terreno do do meu vizinho encontrei, enterrado no jardim, um velho cofre cheio de moedas de ouro. (...) Nunca fui ambicioso, e os bens materiais não são muito importantes para mim...depois de desenterrar o cofre, tirei as moedas e dei-lhes brilho. Estavam tão sujas e enferrujadas, as pobres! Enquanto as estava a empilhar ordenadamente em cima da minha mesa, comecei a contá-las...constituíam uma verdadeira fortuna! Só para passar o tempo, comecei a imaginar todas as coisas que se podiam comprar com elas...pensava no contentamento que sentiria um ambicioso que encontrasse tamanho tesouro ...por sorte não era o meu caso! Hoje veio um homem reclamar as moedas. Era o meu vizinho .Pretendia garantir, o grande miserável, que as moedas tinham sido enterradas pelo seu avô e que portanto lhe pertenciam. Aborreceu-me tanto!!! Se não o tivesse visto tão desesperado por possuí-las ter-lhas-ia dado. Porque não há quem se importe menos do que eu com estas coisas que se compram com dinheiro...Mas a grande verdade, é que não suporto pessoas gananciosas ..."

Texto publicado na revista FLASH em Janeiro de 2007




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