CLEPTOMANIA

 

A doença foi muito falada a propósito da actriz americana Winona Ryder , apanhada a roubar numa loja de roupas

 

A cleptomania é popularmente conhecida como o hábito de roubar objectos. Por vezes, nas reflexões populares, ocorrem dúvidas se determinado comportamento é mesmo sintoma de um distúrbio psicológico, ou apenas derivado da pura e simples desonestidade de quem o pratica. Segundo os manuais de psiquiatria, a principal característica da Cleptomania é o fracasso recorrente em resistir ao impulso de furtar objectos, completamente desnecessários para o uso pessoal e desprovidos de valor monetário. O indivíduo experimenta uma crescente tensão antes do furto e sente prazer, satisfação ou alívio, logo após cometer o furto. O acto não é cometido para expressar raiva ou vingança, não é realizado em resposta a um delírio ou alucinação, nem está associado a um Transtorno Anti-social da Personalidade.  São estas as características fundamentais e que se encontram na base de um diagnóstico diferencial.

 

DEPOIS VEM A CULPA

Após o roubo, a pessoa reconhece o erro de seu gesto e não consegue entender como é que foi capaz de o fazer. O certo é que não o consegue evitar e repete-o dias depois.  Isso provoca-lhe um intenso sentimento de vergonha que o leva a esconder a situação. Os objectos furtados, têm pouco valor real e a pessoa até tem dinheiro para os adquirir (em regra são sabonetes, desodorizantes, etc).  Assim, muitas vezes oferecem-nos a alguém ou então deitam-nos fora. Porém, alguns cleptómanos coleccionam os objectos furtados (num baú, por exemplo) ou então devolvem-nos disfarçadamente. Esta última situação passa-se quando o objecto é furtado em casa de amigos. Tentam voltar ao local de forma a conseguirem colocar o objecto no lugar de onde o levaram. Às vezes conseguem, outras não. Quando são descobertos, passa a ser um problema delicado de gerir em termos de relações sociais. Os amigos deixam de lhes endereçar convites, já que encaram o caso como um abuso de confiança. Quando a situação se desenrola num supermercado, fica bastante mais difícil devolver, pelo que vigoram as outras opções. Ainda que haja algum cuidado para não serem apanhados em flagrante delito, os cleptómanos não costumam planear os furtos, nem colocam a hipótese de serem presos, mas as câmaras de vigilância existentes nas superfícies comerciais, acabam frequentemente por denunciá-los. O acto é cometido de forma isolada e sem auxílio ou colaboração de outros.

ATINGE MAIS AS MULHERES

 

Existem poucos estudos sobre a cleptomania, mas sabe-se que muitas vezes surge associada a outros distúrbios como: anorexia nervosa, bulimia nervosa, distúrbios ansiosos, fobias e depressão. Inicia-se geralmente no fim da adolescência e mantém-se ao longo de vários anos. Actualmente  é considerada uma doença crónica. Os dados que dispomos sobre a sua evolução são bastante escassos já que existe muita vergonha em assumi-la, portanto a maior parte dos casos não chegam a ser conhecidos. Geralmente é identificada nas mulheres em torno dos 35 anos e nos homens em torno dos 50. Encontram-se mais casos de cleptomania em mulheres do que em homens, mas sabe-se também que as mulheres procuram ajuda com maior frequência do que os homens. Estima-se que a incidência seja de 6 casos em 1000. É muito provável que esse número esteja subestimado porque apesar de ser uma doença, envolve aspectos legais,  o que vem reforçar o desejo do paciente em esconder o problema. Não há tratamentos totalmente eficazes. A maior parte das pessoas são medicadas com ansiolíticos (de forma a reduzir a ansiedade antecipatória) e depois sujeitas a terapia cognitivo comportamental para saberem lidar com as situações, tanto de confronto policial, como da culpa decorrente do acto.

UM CLEPTÓMANO NÃO É UM LADRÃO

Alguns ladrões, quando confrontados com o delito, pretende fazer-se passar por cleptómanos. Contudo, o furto de dinheiro, jóias e outros objectos de valor raramente são levados por pessoas com esta patologia já que os impulsos são dirigidos para objectos sem valor material. Para além disso, o forte impulso que leva ao roubo, vem sempre associado a uma sensação de prazer e  à consequente diminuição da ansiedade. Numa acção de roubo, o ladrão não experimenta prazer algum. O seu objectivo é adquirir algo de valor que possa depois rentabilizar. Ninguém sabe ao certo quais os factores que estão na base da cleptomania. Do ponto de vista psicanalítico, trata-se de auto-compensação que origina uma tendência contínua de roubar. Normalmente, este processo inicia-se na infância e a criança encontra no furto um meio de compensar a profunda falta de afecto, carinho e atenção. Esta auto-compensação faz-se através da aquisição de objectos.  Face ao descontrolo, surge o furto e mesmo sabendo que vai ser castigada ela repete o acto pois tudo é uma maneira de deixar de ser ignorada.

 

 




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