psicologia

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Esta semana, na revista Certa (Continente), mais um artigo meu, desta vez sobre os adolescentes...

O afecto que nos protege

Harry F. Harlow (1905-1981), psicólogo norte-americano, ficou conhecido pelas suas experiências sobre a privação materna e social em macacos Rhesus.  Para além disso, mostrou claramente a importância do afecto nas primeiras etapas do desenvolvimento.

Criou duas “mães” artificiais em que uma era feita apenas com armação de arame enquanto a outra, para além do arame, tinha uma cobertura de pano felpudo e macio. Num primeiro momento, apenas a mãe de arame fornecia leite. O que Harlow observou é que os bebés recorriam à mãe de arame para se alimentarem, mas corriam de seguida para a mãe de pano, permanecendo agarrados a ela.


O contacto parecia ser essencial ao estabelecimento de uma relação que transmitia segurança. Perante um estímulo gerador de medo, os macaquinhos agarravam-se à “mãe” de pano tal como o fariam a uma mãe real.


Pelo contrário, na ausência da “mãe” confortável, os macaquinhos ficavam paralisados pelo medo e não exploravam o ambiente, ou seja, uma “mãe” desconfortável é incapaz de transmitir segurança.


O resultado desta e de outras experiências, permitiram Harlow concluir que o contacto era tão, ou mais importante que a amamentação. Daqui se tiraram conclusões acerca dos bebés humanos, sendo hoje consensual que o afecto entre mãe e filho é algo fundamental para o equilíbrio emocional dos pequeninos.

 
 

OBEDIÊNCIA CEGA

 

Stanley Milgram, psicólogo norte-americano,  foi o responsável pelo célebre estudo sobre a obediência à autoridade - (também conhecido pela Experiência de Milgram)

O objectivo do estudo era a observação das reacções individuais face a indicações concretas de outros. A obediência era operacionalizada através das acções que implicavam actos que implicavam o sofrimento de outros.

 - Os voluntários participavam na experiência, sem saber que seria avaliado na sua capacidade de obedecer a ordens.

 - Cada voluntário era colocado perante uma falsa máquina de infligir choques eléctricos

- A máquina estava ligada através de eléctrodos, ao corpo de um homem mais velho e afável, que supostamente estaria a ser submetido a uma entrevista numa sala ao lado.

 - O voluntário podia ver o homem mais velho, mas não era visto por ele

 -  O investigador dizia ao voluntário, que a sua tarefa consistia em accionar a máquina de choques todas as vezes que a pessoa errava uma resposta. A intensidade dos choques aumentava supostamente 15 Watts por cada erro cometido, desde 15 (marcado na máquina como "choque ligeiro") até 450 Watts (marcado na máquina como "perigo: choque severo", podendo este conduzir à morte);

 - O "entrevistado" tratava-se na realidade de um actor que, discretamente, recebia indicações para simular dor, cada vez que levasse um choque.

 -  À medida que aumentava intensidade dos choques queixava-se cada vez mais, gritava e implorava que o deixassem ir, até que por fim se recusava a responder;

- O investigador dizia de modo severo ao voluntário."Você não tem alternativas, tem que continuar!"

Certo é que, mesmo vendo o sofrimento e acreditando ser real, a maior parte dos voluntários continuava a obedecer às ordens de Milgram e infligia choques cada vez maiores. Todos sabiam que a intensidade máxima, (450 watts), significaria hipoteticamente causar a morte à outra pessoa... mas 65% dos voluntários obedeceram às ordens até o fim e deram o choque, supostamente fatal !

Esta experiência explica, por exemplo, como Hitler conseguiu reunir tantos seguidores e os levou a cometer tamanhas atrocidades. É que, "livre da responsabilidade e da culpa, emerge o lado mais obscuro da natureza Humana!"

 

nota: no filme do Youtube é apresentada uma outra versão da experiência de Milgram, mas a original é a que vos descrevo Piscadela




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